Exibir bastidores pede limites

Por anos a fio, as universidades de Jornalismo ensinaram que não pega bem um repórter demonstrar suas emoções em pleno exercício da profissão. O Profissão Repórter navega na direção contrária, mas não sem ressalvas. Com a palavra, o diretor Marcel Souto Maior.

O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 23h52

Holofote nos bastidores

"A gente toma muito cuidado. Uma das pautas que a gente discutiu hoje (transplante de rim) tem a emoção da repórter, mas a emoção dela não pode ser mais importante que a emoção da família. Tem programas que têm maior exposição dos bastidores e alguns que nem têm, porque o tema é tão forte, que não cabe. No programa sobre habitação com gente que tinha a casa destruída por tratores, havia muito sofrimento, a gente não podia ficar voltando a câmera para o repórter."

Feito e refeito: olhar original

"Tem vezes que o repórter chega da rua com algo perfeito, mas não é sempre que acontece. Num programa sobre casamentos, eu queria toda a tensão da noiva até o dia do casamento. Foram três noivas até a gente achar a noiva certa, a noiva que ia emocionar. Estamos sempre caçando histórias inusitadas. No programa do barulho, ficamos registrando a vida de quem mora na beira de viaduto ou em cima de túnel. Aí a gente viu e falou: ?isso é mais do mesmo?. Então uma das editoras sugeriu acompanhar uma pessoa que voltaria a ouvir. Fomos acompanhar uma cirurgia de uma pessoa que estava surda havia 15 anos e implantou um aparelho auditivo. O Caco acompanhou os primeiros sons que ele ouviu. Aquilo deu o diferencial. Por isso é que fico o tempo todo perguntando: ?O personagem é forte?? ?Essa família emociona?? ?Qual é a ação que a gente tem??"

Não se pede experiência

"A emoção do jovem, muitas vezes, é maior que a de alguém que já viveu muita coisa. Tenho três filhos e assisti ao parto dos três, então, numa sala de parto, se eu vir outro parto, não será tão emocionante para mim, como será para alguém que nunca assistiu a esta cena. É mais latente, a gente tem um ganho de emoção."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.