Divulgação
Divulgação

Ex-'Doctor Who', David Tennant é vilão assustador em 'Jessica Jones'

O mais simpático e assustador vilão da Marvel veio a São Paulo para a Comic Con Experience

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

06 de dezembro de 2015 | 04h00

O vilão mais assustador que a Marvel já fez nas telas, grandes e pequenas. Não são poucos os elogios recebidos pelo personagem Kilgrave, o antagonista de Jessica Jones, segunda série da parceria entre a Marvel e a provedora de TV por streaming Netflix. O personagem, movido por uma paixão maníaca, dizem uns, ou um psicopata, segundo outros, rouba a cena ao longo dos 13 episódios desta primeira temporada, já toda disponível para os assinantes. Assustador, embora não seja extremamente poderoso. Ele não é capaz de voar, desviar de tiros de pistola ou levantar carros como se fossem travesseiros. Ele apenas controla as vontades de qualquer um. Se ele disser: “Pule até eu mandar parar”. Você, eu ou quem quer que seja o fará, seguidamente, mesmo que as dores musculares cheguem ao limite – ele fez isso, literalmente, com uma de suas vítimas desse estupro mental. 

Homem por trás do personagem, David Tennant, aos 44 anos, se encontra com público nerd, dedicado a quadrinhos, séries de TV e filmes, como mais um entre eles. O escocês de 44 anos passou por São Paulo, para participar da Comic Con Experience, evento dedicado a cultura pop realizado de quinta a domingo, 6, no Expo São Paulo. Encontrou os já fanáticos pela recém-lançada série Jessica Jones em um painel lotado no fim de sexta-feira.

Ele não é novato em convenções como essa, afinal, interpretou o doutor que dá nome a Doctor Who de 2005 a 2013. Ainda assim, a série britânica estourou sua bolha de whovians, como os fãs da série são chamados, e chegou à cultura popular há pouco tempo. “Posso dizer que fui em umas cinco ou seis convenções desse tipo”, contou ele. “Mas é algo empolgante. Quando você cresce lendo quadrinhos e ficção científica, como é meu caso, ver esses lugares cheios é ter a certeza que os geeks finalmente se saíram vencedores. É importante para todos os filmes e marcas estarem aqui. É nessas feiras que as pessoas inteligentes estão.”

Horas antes, em uma sala reservada, ele encontrou a reportagem do Estado, em um papo sobre o personagem de tão difícil compreensão: afinal, como é possível, de alguma forma, simpatizar e temer Kilgrave? Ou a questão mais latente de todas: por que ele não escraviza o planeta inteiro para fazer a sua vontade? As respostas não são tão simples, assim como o personagem que, nos quadrinhos, é chamado de Homem Púrpura (sim, nas HQs, trata-se de um homem da cor púrpura, da cabeça aos pés, algo que não funcionaria muito bem em uma série que tentar manter os pés na realidade).

Tennant chegou a ler alguns livros sobre psicopatas, para desvendar a cabeça de Kilgrave e a forma como ele trabalha as suas vontades e lida com as negativas. “É possível simpatizar com o Kilgrave”, conta. “Eu, de certa forma, simpatizei. Quando se está interpretando um personagem, é preciso entender como ele é quem é. Mesmo que seja alguém que não vá mudar, alguém cruel. Naquele momento, você precisa entender o ponto de vista dele, precisa ir a qualquer ponto mesmo que seja um cara irremediável. É preciso ir até aquele canto mais sombrio de você para entender o que acontece.”

Para Tennant, Kilgrave pode ser mais assustador do que os outros vilões da Marvel justamente por não ser megalomaníaco. “Ele é egoísta demais. Muito autocentrado”, diz. “Ele não está interessado em governar o planeta. Nada disso. Ele apenas quer saciar suas vontades e ter a vida mais prazerosa possível.”

Tudo o que sabemos sobre:
NetflixTelevisão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.