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‘Eu sou a consequência de uma luta’, reflete Manoel Soares sobre sua trajetória na TV

Apresentador inicia nova fase da carreira ao lado de Patrícia Poeta, no novo ‘Encontro’, nas manhãs da Globo, a partir desta segunda

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2022 | 05h00

Há dez anos, a jornalista Fátima Bernardes abraçou a oportunidade de comandar um programa com seu nome e que conversasse com o público de casa. Por todo esse período, foi a companheira fiel das manhãs da Globo e assim foi por todo esse prolífico período, que terminou na última sexta-feira, 1º, quando passou o bastão para sua sucessora, Patrícia Poeta, 45 anos, que terá ao seu lado o versátil Manoel Soares, 43. A dupla, aliás, repete parceria iniciada no programa É de Casa, que agora passa a ter uma nova formação, com Maria Beltrão, Rita Batista, Tiago Oliveira e Thalita Morete, a partir do próximo sábado, 9.

Assim tem início nesta segunda, 4, uma nova fase para a programação matutina da emissora, que passa a exibir o Encontro, com Patrícia Poeta e Manoel Soares, antes do Mais Você, de Ana Maria Braga.

Nesse período pós anúncio de troca de apresentadores, as redes sociais não perdoaram o fato de Manoel Soares não ter recebido a mesma atenção em sua passagem para o Encontro. O ponto questionado foi o fato de o nome da apresentadora Patrícia Poeta estar sempre em primeiro lugar, e o dele surgindo de forma secundária ou nem ser citado. 

Em entrevista ao Estadão, o apresentador deixou bem claro que “vê tudo isso com muita naturalidade”. E enfatiza ser “importante entender que por conta de toda a história dentro da comunicação, toda relação com o Encontro, a titularidade, a condição de âncora do programa tem de pertencer à Patrícia”, analisa Manoel, que agradece as manifestações a seu favor, mas reforça entender a importância de manter uma mulher no comando da atração.

“Nós estamos falando com as casas brasileiras de manhã, em um espaço que é naturalmente, por conta dos últimos anos, recebido e compreendido por uma mulher. Acredito que seria um desserviço para toda a agenda feminista que agora colocassem um homem à frente de um projeto como esse.”

Manoel conta que está em uma nova fase de acontecimentos inesperados. Pai de seis filhos, o jornalista conta que está “vivendo um momento de revelação familiar muito importante, pois eu tenho dois pequenos que foram diagnosticados agora com espectro autista”, relata. Apesar do fato complexo, ele mostra lucidez e determinação em entender melhor para saber lidar com a situação.

No lado profissional, Manoel diz que foi pego de surpresa com o convite para o Encontro. “Foi muito doido isso, eu lembro que eu estava na Santa Ifigênia, região central de São Paulo”, um dos pontos da cidade que mais gosta, pois bugigangas eletrônicas é o que mais o atrai. Foi ali, em meio a compras, que recebeu mensagem para uma reunião com o diretor Ricardo Waddington. “Comecei a fazer um revival, será que fiz alguma bobagem e não percebi?”, diverte-se ao recordar o momento.

O apresentador, que é jornalista, escritor e ativista social, reflete sobre o desafio que acaba de abraçar. “Eu sou a consequência de uma luta”, afirma Manoel categoricamente, citando todo o empenho de seus antepassados pela liberdade de um povo. “Eu sou o resultado físico da conquista deles e preciso honrar esse resultado. Eu preciso honrar a luta da história do meu povo negro, a iniciativa dos brancos aliados que estão entendendo o que tem de ser vivido, e batalhar para que meus filhos não tenham vergonha de mim e para que minha mãe não me ligue dando bronca” (risos).

O caso da cocada

Uma das últimas participações de Manoel Soares em seu antigo programa, o É de Casa, ganhou repercussão nacional e invadiu redes sociais. Sobre o "episódio da cocada", como ficou conhecido, ele conta que esteve ali "a prova de que o racismo é contextual". E ele, ao contrário do que todos argumentaram, sai em defesa da colega Thalita Morete. "A Thalita não agiu errado", reflete o apresentador. "Ela pedir para uma pessoa que fez a comida servir a comida, é algo absolutamente natural, se tivesse feito aquilo com o Rodrigo Hilbert, não teria problema nenhum", pontua. 

"Quando foi que eu intervi? Eu intervi quando vi a cena icônica de um grupo de pessoas brancas sentadas, um homem negro privilegiado sentado, e uma mulher moradora de favela servindo essas pessoas", segue Manoel. "O que me doeu ali foi a iconicidade daquele cenário que causa dor e remete a um processo de condição escravista."

Patrícia Poeta realiza sonho com ‘Encontro’

Nesse novo momento do Encontro, com Manoel Soares ao seu lado, Patrícia Poeta conta que a intenção é fazer “um programa que informe, mas ao mesmo tempo, leve leveza para o início do dia de quem nos assiste, com destaque para serviços, notícias, entretenimento, música, tudo junto e misturado”, afirma a jornalista ao Estadão. Segundo ela revela, o “DNA do programa se mantém o mesmo”, ou seja, “uma combinação de notícia e entretenimento”.

Depois de diversos trabalhos na emissora, Patrícia estreia como âncora de um programa de variedades. “Tinha o sonho de me comunicar com os telespectadores de uma forma diferente da dos telejornais que já fiz. Isso sempre sonhei. Agora, ter um programa foi acontecendo naturalmente.”

Com relação ao trabalho com Manoel, afirma: “A Fátima (Bernardes), durante esses 10 anos, contou com grandes parceiros, como o André Curvello, o Lair Rennó, o Marcos Veras… Eu vou contar muito com o Manoel, que já é de casa (risos), na frente das câmeras e por trás delas também”.

Patrícia diz sentir enorme responsabilidade em assumir o posto. “Agora, o meu dever é fazer o que já prometi pra minha amiga Fátima Bernardes: cuidar desse filho de 10 anos com muito carinho e dedicação.”

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