'Eu seria uma boa professora'

Expert em atrair platéia para qualquer assunto, Regina Casé leva seu Um Pé de Quê ao 7º ano

Shaonny Takaiama, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2007 | 01h47

O canal Futura está há 10 anos no ar e Regina Casé, à frente do Um Pé de Quê, já soma incríveis sete anos. Incríveis se considerarmos que este é um programa sobre árvores e que, em tese, interessaria a pouca gente. Em tese, por que Regina Casé sempre surpreende. O ?Um Pé de Que?? já está há sete anos no ar. A que se deve o sucesso do programa? A primeira vez que apresentei o projeto, falaram assim: "A idéia é ótima, mas isso aí dá uns dez programas porque é muito específico." E eu falei: "não, vai durar mais", mas nem eu pensava que fosse durar sete anos. Eu acho que essa permanência vem de ser um assunto que você até gostaria de saber mas acha que não é pro seu bico e aí você vê que é muito simples. Você parece ter um dom para tornar esse tema acessível... Agora eu vou ser um pouco imodesta. Eu não acho que é esse tema, não, eu acho que sou boa nisso, eu seria uma boa professora. Desde pequena a minha filha diz que eu explico bem as coisas (risos). Você já pensou em levar o programa para o ?Fantástico?? Este é um sonho que eu tenho. Eu adoraria fazer no Fantástico o concurso da árvore que melhor representa o Brasil ou "a árvore de cada cidade", "a árvore de cada estado". Como o programa surgiu? O Hugo Barreto me convidou pra fazer um programa de debates, com assuntos polêmicos, de adolescentes, sobre sexo, violência, porque ele achava que eu entrevistava bem os jovens. Aí eu disse: "eu não estou com vontade de fazer um programa assim, eu queria fazer um programa de identificação de árvores brasileiras" (risos). A pessoa te oferece um guarda-chuva e você compra um isopor, né? (risos). Como vocês irão neutralizar as emissões de carbono no programa? Com o Um Pé de Que? muitas vezes a gente ia numa cidade como Camaçari, que tem o nome de uma árvore, e lá não havia um camaçari. Então a gente arrumava as mudas e fazia um plantio. Agora, com a neutralização, a gente faz isso de uma forma calculada. Dizem que todo mundo deve ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Você já é uma pessoa realizada? (Risos). Não, eu ainda não escrevi um livro. Mas acho que uma hora eu vou escrever um. Você costuma abraçar árvores? Olha, eu acho que conversar com samambaia no apartamento eu não seguro a onda. Agora abraçar árvore eu não tenho a menor dúvida que é bom e não vejo nada de metafísico ou esotérico nisso. A árvore alcança lugares e tem contato com umas coisas que eu não tenho. Então tá na cara que isso daí é bom, né? Agora conversar com samambaia em apartamento não, né? Eu já acho chato quem conversa muito. (Risos). Você é muito cobrada para fazer piadas? Eu era mais, na época do TV Pirata. Eu estava no restaurante e o cara falava: ?faz uma piada!?. Ou, o que é pior, o cara chega e fala assim: ?Nossa, você é tão diferente, na televisão você é tão engraçada!? e você só está ali na fila esperando pra fazer o check-in (risos). Mas hoje em dia acho que meu trabalho está muito mais abrangente. Então tem um pouco menos de cobrança. ?Um Pé de Que?? ajudou a diluir essa sua imagem de humorista? Contribuiu muito. No começo, eu ia entrevistar as pessoas e elas achavam que eu ia zoar, que era uma brincadeira. Depois todo mundo me viu entrando na vida das pessoas, me envolvendo e tratando aquilo com tanta seriedade que eu acho que essa imagem foi caindo. E o Um Pé de Que? contribuiu principalmente para aparecer um lado meu educadora do qual eu me orgulho muito.

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