'Eu podia ter desaparecido da TV'

Apresentadora completa 20 anos no ar, bem sobrevividos à troca de canal e de público

Keila Jimenez, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2008 | 22h52

Eliana completa em outubro 20 anos de carreira e 10 de Record. A maior concorrente de quem a descobriu na TV - o Programa Silvio Santos vem apanhando em ibope do seu Tudo É Possível - é, atualmente, a única mulher na guerra dos domingos. Sobrevivente daquela Record que mal lutava para se manter em terceiro lugar, é também a única apresentadora que trocou baixinhos por grandinhos sem grandes traumas. Como? Segundo ela, sem empresário, sem botox e com alto poder de adaptação. Quando trocou SBT por Record, acreditava que um dia disputaria o segundo e até o primeiro lugar em ibope?Acreditava na Record, mas acreditava mais em mim. Sabia que com aquele pouco espaço no SBT não iria longe. Foi aí que a Record me ganhou. Claro que teve um salário bem bacana, mas, acima de tudo, a exposição artística era bem maior. Mesmo assim, muita gente na época falava: ?Você vai trocar a segunda emissora em audiência, pela terceira??Tinha medo de ficar para sempre apresentando desenhos, até Silvio Santos acordar um dia e mudar de idéia?Certamente era o que iria acontecer comigo.Você podia sumir ...Sim, eu podia ter desaparecido. Só não aconteceu porque não fiquei parada.Temeu mudar de público?Eu não queria ser apresentadora infantil pelo resto da vida, foram 14 anos assim e sabia que podia mais. Algumas pessoas acreditavam, outras não. Mas só pude provar isso quando o programa entrou no ar. Sabia que a transformação não podia ser de fora para dentro: trocar figurino, cabelo, maquiagem... Desde a maneira como eu me comunicava tinha de mudar... Consultei uma fono para perder aquele jeito doce de falar, mais infantil...Fiz curso de telejornalismo, arte contemporânea, agora estou fazendo aulas de conhecimentos gerais. Como vou tentar passar conteúdo no programa se não tenho? Vim de uma família simples, não nasci nem com cultura nem com dinheiro embaixo do nariz, tive de correr atrás dos dois. Você fala bem com a câmera...Isso é uma herança de quando Silvio Santos tirou meu cenário, gigante, e me colocou em um pequenininho, só com um banquinho. Não tinha nenhum tipo de entourage, tive que aprender a conversar sozinha com uma câmera. Foi aí que surgiu a famosa música dos dedinhos, pois não tinha espaço nem para coreografia. Só podia dançar com as mãos (risos). O grande segredo da minha carreira é a adaptação.O que faltou para outras, como Xuxa, para que a transição de público desse certo? A mudança não pode ser fabricada. Sei que dá certo em carreiras internacionais esse lance de ter lá uma figura que não tem tanto talento, mas alguém molda e transforma em ícone. Não é o meu caso. Não tenho empresário, não tenho alguém que construa minha imagem. Eu dou a última palavra, e nessa transição foi assim, conduzi tudo, participei de tudo. O que acha de competir com o cara que te descobriu?É, concorro hoje com o Silvio. Ele foi visionário de uma apresentadora. Se eu fosse ele, ficaria orgulhoso de alguém que descobri estar hoje competindo comigo.Com tantos anos no ar, você é neurótica por beleza?Não. Eu sei que tenho uma imagem, mas acho que hoje o menos acaba sendo mais. Só quero envelhecer bem. Então não é louca por botox, plásticas?Nãããããooo. Aceito as marcas da vida, as ruguinhas. Recentemente li uma matéria dizendo que tinha feito alguma coisa para o meu rosto ficar triangular como o da Madonna (risos). Olha bem para o meu rosto... Nem em sonho ele é triangular (risos). Mas uma mentira dita várias vezes acaba se tornando uma verdade. Então, o que eu posso fazer?Te irrita quando ainda te chamam de "Eliana dedinhos"?Não me incomodo, não. Foi uma fase muito importante na minha vida. Claro que tem algumas mentes poluídas que são capazes de confundir dedinhos infantis com outro tipo de coisa... Mas, contra esse tipo de gente, não temos muito o que fazer. Só lamentar.

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