'Eu não sou um robozinho'

Novo apresentador do Globo Esporte divide opiniões ao derrubar padrões e teleprompter

Gustavo Miller, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2009 | 22h23

Quem sintonizou o Globo Esporte nos últimos três meses tomou um baita susto. Quem é esse garoto, de rosto tão comum, metido a engraçadinho? Que faz piadas durante as matérias e comete deslizes para a alegria do YouTube?

É o jornalista Tiago Leifert, de - acreditem - 28 anos. Que teve com o TV&Lazer sua primeira entrevista desde que assumiu a chefia e apresentação do tradicional programa esportivo da hora do almoço. "Tradicional" uma ova.

Não bastasse sua figura incomum, Leifert modernizou a atração - tem matéria sobre games! Por essas e outras, ele vem recebendo várias críticas: 50% delas o aplaudem e 50% o acusam de mala.

Por que bloqueou seu blog do acesso público? Reflexo da fama?

Fechei ele, não vejo mais YouTube... Obviamente não são todas as pessoas que gostam de mim e tudo o que eu disser agora tem uma proporção muito maior. Como minha exposição aumentou muito, me assustei e achei melhor recuar. Ao ser apresentador de esportes, onde tem muita rivalidade entre torcidas, tudo o que você disser precisa ter maior cuidado. Minha opinião não importa mais.

As críticas que você recebe estão bem divididas, não?

Mas a maioria das pessoas gostou desse meu estilo, de falar mais a linguagem do torcedor. O esporte historicamente tem uma assepsia: jornalista esportivo está livre de piada, brincadeira... Tento apresentar matéria do Palmeiras para o palmeirense, do Corinthians para o corintiano... Isso levaram na boa. Mas o que me incomoda é a falta de educação. Não precisa. Reclamaram que falo rápido e até do meu tênis! Pô, sempre tive um tênis só, não gosto de ter vários. Agora comprei outro (risos).

As pessoas não estranham esse seu estilo "diferente"?

Não gosto de usar termos que as pessoas não usam. "O time da Vila Belmiro". Todo mundo fala Santos! E daí se falo Santos duas vezes no ar? Na rua é assim. O negócio do improviso é que não tenho TP (teleprompter), essa foi minha promessa de campanha nº1. Aboli, aquilo não é nada prático. Sem o TP eu estouro, às vezes sobra... É um exercício de vender a próxima matéria sem gesso. Que a pessoa veja que não estou cuspindo palavras e não sou um robozinho. Não pode ter medo de errar, meu!

Que outras mudanças você fez no programa, além da inclusão de matérias sobre games?

Eu "YouTubezei" o Globo Esporte. Sou da geração videogame, tenho os três da última geração, é o meu esporte predileto! Tem muita coisa engraçada, de fitas brutas, que não iriam pro ar, então reaproveitamos esse material e fazemos pilulazinhas, videozinhos engraçados. Uma experiência "YouTubeca".

A equipe do Globo Esporte é jovem como você?

A média de idade é baixa. Há um movimento de rejuvenescimento de alma, nem é de idade. Eu preciso de gente que jogue videogame, que goste de YouTube e assista a seriados americanos, que é o maior poço de criatividade do mundo. Vejo muito Lost. Uma vez eu peguei uma matéria e mudei toda sua estrutura, contei o fim primeiro.

Já falaram que o seu rosto é comum demais?

Já... Falam que pareço o George W. Bush, a Mariana Ximenes, o Mano Menezes, o Justin Timberlake, o Marcelo Mattos que jogava no Corinthians... Não esquento a cabeça. No shopping falam, " e aí, filho do Mano!"

Por acaso você recebe e-mails de pessoas elogiando o programa mas acabando com o apresentador?

Ninguém sabe que sou editor, só jornalista que lê crédito. Recebo e-mails de que o jornal está ótimo, mas o apresentador é muito ruim (risos).

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