'Eu não entendo nada de moda'

Provar que tem conteúdo nunca foi a grande preocupação de Mariana Weickert

Shaonny Takaiama, O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2008 | 20h57

O tipo top model internacional não faz a cabeça de Mariana Weickert. A moça de Blumenau, ex-integrante do Saca-Rolha e agora repórter do GNT Fashion, recebeu o Estado de cara limpa, descalça, e mostrou não ter deslumbramento com o "mundinho". O Saca-Rolha foi sua escola na televisão? Naquele segmento e formato foi. Antes, apresentei um programa de verão na MTV. Foi lá que nasci na televisão. Eram duas horas de programa ao vivo e em horário nobre, cada dia numa praia. Foi a primeira vez que tive um ponto eletrônico. Aí aconteceu o convite do Rogério Gallo para o Saca-Rolha e esse foi o grande tesão da minha vida. Por quê? Porque estar na televisão para mim é uma grande conseqüência. Não tenho essa vaidade de estar na TV por estar. Preciso acreditar no formato, gostar, ser instigada. Fazer um programa de games na MTV foi sensacional, mas não me instigava. Essa coisa do formato do Saca-Rolha ser informativo, despretensioso, mas ao mesmo tempo ter uma certa responsabilidade, gostei muito. Ali, o Marcelo Tas, o Lobão e o atrito de gerações tornavam tudo muito interessante. Foi difícil para você mostrar que tem conteúdo? Não tinha compromisso de mostrar conteúdo ou não. Eu tinha de expor as minhas dúvidas, me manifestar na hora que eu tinha que me manifestar. Se as pessoas consideraram que eu tinha conteúdo, que bom. Ou, quem achou que não, problema deles, sabe? No começo você tinha receio de emitir opinião? Esquecia que estava num programa, sempre fui falante. E sempre tive sede de aprender. No Saca-Rolha comecei a gostar de política. Como me envolvi mais com esse assunto, as minhas perguntas talvez fossem mais pertinentes. O Lobão era mais envolvido com música e filosofia, o Tas, mais com tecnologia. Cada um tinha as suas dúvidas e os seus interesses. Agora que você voltou ao mundo da moda, se sente mais à vontade em frente às câmeras? Esta não é uma seara que eu domino mais. Não entendo nada de moda, mas entendo muito do meio, do mundo da moda. Se me perguntarem se esse vestido está certo ou errado, vou dizer que a crítica de moda é a Lilian Pacce. O que gosto é comportamento, o que faço ali no GNT Fashion é quase antropológico. Qual foi a matéria mais difícil que você fez no GNT Fashion? Teve um dia que não foi difícil, mas engraçado. Tive que ir à 25 de Março, pouco antes do carnaval, com um salto deste tamanho. Chovia e eu tinha que montar uma fantasia completa por um valor X, que era muito baixo. Não encontrava nada e foi meio complicado. E tiveram outras situações engraçadíssimas, em que precisei achar as gírias do mundo da moda. Tive ataques de riso. O que você mais gosta e odeia no mundo da moda? O que mais odeio é a superficialidade. Gosto do que esse trabalho me proporcionou em viagens, mas também desgosto porque ele me tirou de perto da minha família. Você toparia fazer parte do Saia-Justa? Faria sim, gosto bastante, inclusive. O Saca-Rolha era mais sério que o Saia-Justa? Não. Se fosse falar de seriedade, talvez até o Saia-Justa se leve mais a sério do que o Saca-Rolha se levava.

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