Eterna adolescência

Colégio é pano de fundo para séries que fazem mais do que entreter e facilitam debates entre pais e filhos

Alline Dauroiz e Etienne Jacintho - LOS ANGELES

01 de maio de 2010 | 16h00

Sucesso. Não há drama maior que o ensino médio, por isso até os adultos se interessam.

 

Adolescente é tudo igual em qualquer lugar do mundo. E mais:adolescente é igual, não importa se é mãe solteira, badboy, ginasta olímpica ou até vampiro. "Não há drama maior que o Ensino Médio", acredita a atriz Molly Ringwald, com a propriedade de ser a Garota de Rosa Shocking, adolescente símbolo dos filmes dos anos 1980. A ruiva agora é mãe de uma jovem mãe em A Vida Secreta da Adolescente Americana (The Secret Life of the American Teenager, na foto acima), do Boomerang. "Até adultos se interessam por histórias de colégio, ainda mais em séries que podem ser vistas com os filhos", diz Molly.

 

A atriz aponta a tendência das séries americanas teen, que hoje vão além de Hannah Montana e High School Musical. "São séries atrativas para gente da minha idade e, claro, para os adolescentes", constata Molly.

 

Outro fator que contribui para o sucesso dessas atrações em todas as faixas etárias é o fato de, atualmente, os adultos manterem a alma adolescente por mais tempo. Além disso, conversas entre pais e filhos sobre questões polêmicas como sexo estão sendo tratadas de forma mais natural. Todas as novas séries, aliás, falam muito de sexo, seja em personagens desinibidos, nos que decidem manter a virgindade até o casamento ou naqueles que simplesmente não dão sorte no amor.

 

Sexo também está presente em Vampire Diaries. Fenômeno nas livrarias, as tramas de vampiros colegiais também têm agradado a jovens e adultos na TV. E isso é proposital. Segundo Nina Dobrev, que vive a mocinha Elena e a vampira egoísta Katherine na série - que volta inédita ao Warner Channel nesta quinta-feira -, o autor Kevin Williamson escreve pensando também no público mais velho. "Temos a história de amor, mas também ação, comédia, momentos sombrios e aterrorizantes. Ah! E sexo", diz Nina. "Assim, apesar do nosso público predominante ser jovem e de todas essas temáticas, tudo é feito para que se possa assistir à série com os pais", diz Nina.

 

A polêmica não se restringe ao sexo, e as séries usam a escola e o ambiente social teen como cenário para abordar outras questões que atingem os jovens. Make It or Break It, que estreia terça-feira no Animax, tem como pano de fundo o treinamento de ginastas cujo sonho é competir na Olimpíada. Além das agruras da juventude, a atração discute bastante o uso de anabolizantes por atletas. "Os estudantes, hoje, estão lidando não só com drogas comuns, mas com substâncias que melhoram a performance em esportes", fala a atriz Peri Gilpin, ex-Frasier, que interpreta Kim, mãe da jovem atleta Payson. Na trama, a menina sofre pelo uso de esteroides.

 

Além das drogas -, temática presente em quase todas as séries teen - as tramas também lidam com questões existenciais dessa fase da vida.

Adolescentes, por exemplo, sempre acham que estão sozinhos em seus problemas. Para a atriz Shailene Woodley, que interpreta a jovem Amy Juergens, que engravida e decide ter o filho em The Secret Life of the American Teenager, a identificação é parte importante das séries do gênero. "Uma garota que estudou na minha escola e engravidou no último ano me disse que a série deu a ela a noção de que ela não está só", conta. "Ela percebeu que há muitas meninas que passam pelo mesmo dilema."

 

Permitido para maiores. Atrair a audiência adulta é também uma necessidade para as séries com temática adolescente, já que o público-alvo tende a escapar, ano a ano, da frente da TV, como observa Stephanie Savage, a autora e produtora executiva de Gossip Girl e também criadora da adolescente The O.C. "Nosso público, cada vez mais, assiste à série em outras mídias, no iTunes, nos seus iPods e em toda sorte de aparelhos", diz Stephanie. Não à toa, Gossip Girl recebeu no SBT o título de A Garota do Blog.

 

Para atrair os pais, a fórmula é até simples: além de mesclar dilemas comuns a todas as idades, é comum recrutar ídolos adolescentes de décadas passadas ou colocar bonitões maduros para encantar as mães. Molly Ringwald não é a única ex-teen famosa a participar de uma série adolescente. Make It or Break It resgata Candace Cameron Bure, a J.D. de Full House. Já 90210, o remake de Barrados no Baile, reuniu parte do elenco antigo em sua trama.

 

Pais descolados são a arma de Gossip Girl, com Matthew Settle, pai de Dan; e de Life Unexpected (em cartaz no Liv), com Kristoffer Polaha, o pai biológico, e Kerr Smith, o padastro e ex-astro de Dawson’s Creek. Glee e Vampire Diaries apostam nos professores gatos.

 

Em tempos em que a tecnologia rivaliza com o ibope da TV, qual seria a receita para manter os adolescentes em frente à telinha por 40, 45 minutos?

 

"É preciso equilibrar música, moda, cultura, lugares para ir e, claro, tramas como ‘Estou com ciúmes da minha melhor amiga’; ‘Amo alguém que não me ama’; ‘Queria que meus pais prestassem mais atenção em mim’", diz Stephanie. Segundo a autora, essas tramas podem ser contadas várias vezes, por serem universais e poderosas.

 

* Viagens feitas a convite dos canais Warner e Animax

 

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