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Estreia do 'É de Casa' na Globo encerra último suspiro da programação infantil no canal

Com 3 horas de duração, programa será exibido aos sábados

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2015 | 03h00

A partir do dia 8, sábado, às 9h, a Globo enterra de vez todo e qualquer resquício de programação infantil que ainda restava. Começa então o É de Casa, com três horas de duração e apresentação de dois casais que se revezam, a cada sábado, entre um time de seis profissionais. Apenas na estreia, para que o público conheça o time completo, o grupo aparecerá todo junto: André Marques, Patrícia Poeta, Zeca Camargo, Cissa Guimarães, Ana Furtado e Tiago Leifert. Cada um estará mais ligado a determinada área de especialidade, mas isso não impede que um transite no território do outro.

O charme do programa, além da própria casa - um imóvel de verdade, de 250 metros quadrados, sem truques cenográficos, construídos sobre um terreno de 800 m2 - serão as “matérias selfies”, assim batizadas por eles: cada um sairá munido de uma câmera Go Pro, mimo que cabe na palma da mão, para filmar com leitura própria o assunto ou personalidade abordada.

Desde que a Globo encerrou a TV Globinho de segunda a sexta, ao inaugurar o Encontro com Fátima, há três anos, a direção da emissora defende o fim da programação infantil argumentando que a migração da plateia mirim para os canais pagos feitos só para sua faixa etária é uma tendência mundial. Patrícia retomou a esse discurso durante o “open house” promovido a um grupo de jornalistas, incluindo o Estado, na quarta-feira, 29. “É uma tendência mundial que a TV aberta atenda melhor ao público adulto e o público infantil vá todo para a TV paga, que tem uma série de canais, para as mais variadas faixas etárias”, endossou.

Também não fazia sentido exibir conteúdo para gente grande de domingo a sexta e, só no sábado, manter lá um TV Globinho. Os pequenos, que se habituaram a não mais aparecer ali nas manhãs de segunda a sexta, já mal davam as caras nas manhãs de sábado nesses últimos três anos. Os canais Discovery Kids e Cartoon Network de fato são líderes no segmento, em todo o País. Entre o público que paga para ver TV, os dois ocupam já a quarta e quinta posições no Ibope, perdendo apenas para Globo, SBT e Record. O único senão nessa tese é que apenas 1/3 da população tem acesso à TV paga no Brasil. Ou seja, à maioria, restam apenas SBT, Cultura e TV Brasil como opções gratuita de TV infantil.

Para o departamento comercial da Globo, no entanto, a vantagem é clara: conteúdo infantil há tempos não permite merchandising e tem sofrido cada vez mais restrições publicitárias. É o contrário do que ocorre num programa chamado É de Casa. Mas, afinal, qual a medida para inserir propaganda ali?

“Olha, a gente está testando ainda o que vai ter”, diz, cauteloso, ao Estado, o diretor de núcleo Boninho, responsável pelo É de Casa. “A nossa ideia é que o merchandising tenha a ver com a nossa pauta do dia a dia. Nunca vai ter um testemunhal, como tem na Ana Maria (Braga). Se a gente tiver uma comida de cachorro, por exemplo, a gente vai trazer uns cachorros aqui. Mas só vai ter cachorro na casa se o merchandising pedir”, avisa, rechaçando a campanha de André Marques para que o diretor adote um cão para a casa. “Cachorro dos outros dá um trabalho danado, as pessoas reclamam - ‘ah, todo sábado tem que levar o meu cachorro?’. Tenho trauma do Big Brother”, lembra ele, que também comanda o BBB, o Encontro, o SuperStar, o The Voice, o Vídeo Show, o Tomara que Caia e o Mais Você.

Na divisão do bolo de conteúdo, os assuntos serão mais ou menos divididos da seguinte forma: Patrícia se encarrega de relações humanas e cinema; Zeca fala de viagens e cozinha; Tiago engata tecnologia, games e cultura nerd, Cissa conversa com “gente que faz a diferença” e fala um pouco de espiritualidade, André se encontra na garagem, com bricolagem e também comida. A cozinha não terá equipe fixa, mas poderá ter chefs convidados - nos quatro primeiros programas, até para que a equipe ganhe confiança, Roberto Ravioli está escalado para comandar o fogão. Uma receita iniciada no começo do programa não terá réplicas já prontas para serem apresentada às câmeras em suas etapas seguintes, até aparecer pronta, como normalmente ocorre nos programas de culinária. “Vamos fazer o prato de verdade, ao longo do programa”, promete André.

“A ideia é que tudo aconteça como na casa das pessoas num sábado de manhã”, emenda Patrícia. “Alguns momentos do piloto que a gente fez foram de casa do Tufão”, cita Zeca, lembrando daquela conversa em que todos falavam juntos no cenário de Murilo Benício em Avenida Brasil, no cenário de Murilo Benício. “Mas o momento do Tufão foi dirigido pra ser assim”, interferiu Patrícia. “O LP (Simonetti, diretor) disse que vai colocar tornozeleiras individuais na gente pra dar um choque no apresentador que estiver falando demais”, ri André.

Questionado se o público vai se identificar com essa casa de padrão tão superior à da média nacional, Boninho conta que perseguiu um conceito de simplicidade, dentro dos limites aceitáveis para um programa de TV. “Ela é sofisticada e não é, ao mesmo tempo. Ela estava muito mais chique, a gente fez um downgrade, baixou bastante, não quisemos nada de mármore. É uma casa um pouco maior que a média, mas, visualmente, quando você faz uma coisa muito mais simples, fica feio no ar.” E banheiro, não tem? “Banheiro é feio, né? Não vamos mostrar banheiro. Se tiver que ter alguma coisa de banheiro, a gente monta na garagem”, concluiu.

 

ENTREVISTA - Tiago Leifert, apresentador

Após 7 anos no esporte da Globo, jornalista se diz aliviado com nova rotina e feliz ao ampliar espaço para games e tecnologia

 

Profissional que se tornou referência dos novos tempos na Globo, onde tudo pede mais coloquialismo, Tiago Leifert ganhou espaço ao dispensar o teleprompter. Do Globo Esporte ao The Voice Brasil, foi parar no É de Casa e acaba de ter seu contrato subordinado à área de entretenimento - não mais de Jornalismo. 

Já está com saudade do ‘Globo Esporte’? 

Sinto saudade das pessoas, do meu time, mas não da rotina. Era muito pesado, tinha que ver muito jogo, acordar muito cedo, é muita coisa acontecendo, é série A, série B, é técnico que cai... 

Você muda para o Rio?

Não, vou ficar em São Paulo. Eu e o Zeca somos o sotaque de São Paulo no programa. Quero que a molecada entenda que eu quero que eles venham jogar basquete comigo aqui na nossa quadra, jogar game. Pode ser online também, pode ser que a gente desafie alguém na casa da pessoa, estou muito feliz de estar aqui: nós criamos, nós fizemos, todo mundo aqui deu palpite. 

Você já se considera fora do jornalismo?

Acho que sim, agora sou entretenimento. Todo mundo diz que esporte não é entretenimento, mas é. Está sendo fácil.

E já pode fazer propaganda?

Cara, recebemos alguns pedidos, mas eu tô sem pressa, minha prioridade é fazer isso dar certo. Mas estou liberado, meu contrato já mudou: deixo de ser apresentador jornalístico e viro apresentador artístico, meu salário agora sai daqui.

E é maior, o salário?

Não, a mesma coisa, até porque meu contrato vence no ano que vem e aí a gente conversa.

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