Estranho no ninho

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Joe Manganiello interpreta o lobisomem Alcide, novo personagem de True Blood, que tira o fôlego do público feminino

Alline Dauroiz, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2010 | 16h00

LOS ANGELES - Com seu 1,96 m de altura, a figura de Joe Manganiello impressiona. Ao entrar na sala de hotel em Los Angeles onde, há 12 dias, o ator concedeu entrevista à imprensa internacional, a reação das cinco jornalistas presentes foi de espanto: seja pelo porte do moço, seja pela simpatia com que o lobisomem de True Blood, da HBO, respondeu às nossas questões.

 

Fã da série, Manganiello diz ter lido os livros de Charlaine Harris, que deram origem ao seriado, antes mesmo de ser chamado para o teste do papel de Alcide, há um ano. Nesta 3.ª temporada, no ar aos domingos, às 22 horas, Alcide passa a ajudar a garçonete Sookie (Anna Paquin) a procurar seu noivo, o vampiro-protagonista Bill (Stephen Moyer), sequestrado. E como acontece com todos os homens da série, encanta-se por Sookie e a leva para conhecer seu mundo.

 

Nesta entrevista, Manganiello defende seu personagem - que levou um fora da namorada, Debbie (Brit Morgan) - e revela que adora monstros. "Halloween é meu feriado predileto."

 

Então você gosta dos monstros e não dos heróis?

Sempre me identifiquei com os monstros. Existe uma tristeza neles, que as pessoas normalmente não entendem, e quando eu era criança, entendia. Deitava na cama e esperava que minha mãe apagasse a luz, e o monstro saísse do armário.

 

Gosta dos lobisomens da saga Crepúsculo?

Ainda não vi Crepúsculo. É que na preparação para qualquer papel, não gosto de ver outras interpretações do meu personagem. No teatro (em 2008), vivi Stanley Kowalski, em Um Bonde Chamado Desejo, e não quis assistir à versão que Marlon Brando fez para o cinema.

 

Você tem algo de lobisomem?

Como temos lobos reais em cena, pedi para que os treinadores me deixassem passar um tempo com os lobos. Eles ficaram dando voltas em torno de mim, me cheirando, me testando. Me deram a coleira de um Timberwolf americano, gigante, de olhos amarelos, chamado Tunder, e saí para dar uma volta com ele pelas montanhas por 45 minutos. Pude observá-lo, ver como ele se movimenta, como lida com pessoas. Aprendi o máximo que pude, li livros, assisti a vídeos... Afinal, divido DNA com um lobo (risos).

 

E que tal o mundo dos lobisomens?

Eles são como uma sociedade. Na série, são motociclistas, o que faz sentido. Motociclistas são durões e gostam de correr em bandos. Temos 200 figurantes, todos motociclistas. Mas a direção do (criador) Alan Ball é profunda. Ele brinca com suas expectativas. Alcide é mal-humorado, genioso, esfomeado, bravo, solitário, com coração-partido, mix interessante para um lobisomem.

 

Parece um cara normal.

Sim, o Alcide é muito normal. Mas ele tem uma identidade secreta e teve de descobrir seu lado normal. Sinto que conheço esse cara. Eu fui esse cara. Já levei fora, fiquei de roupão em casa, sem sair, assistindo filmes. Eu o entendo. Mas depois penso. ‘Mas ele é um lobisomem.’ Isso é engraçado.

 

O fato de ele ser um cara de coração-partido atrai a audiência feminina, não?

É. Quando veem como a ex dele é péssima, acho que as mulheres dizem: ‘Oh! Pobrezinho, quero tomar conta dele, quero abraçar o lobisomem’ (risos). Tem uma coisa de cão nele também, uma coisa fofa.

 

Acha que agora o público torce para que Sookie fique com Alcide? Bill tem muitos fãs...

Existe muita pressão, muitos fãs do Bill, mas logo após eu ter entrado no elenco, antes de eu ir para o ar, havia camisetas do Alcide sendo vendidas na internet. Alcide é baseado em um livro muito popular, então, para mim, é como interpretar um personagem histórico. Quero corresponder às expectativas das pessoas.

 

Quais manifestações você recebe dos fãs?

Uma mulher me disse que estava machucada, que lambida de lobo fazia curar mais rápido e pediu uma lambida. Eu disse: ‘Isso vai te custar caro’. E ela: ‘Quanto?’ (risos).

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