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'Estrada Sem Lei' traz outro olhar para Bonnie & Clyde

Longa deixa o casal de bandidos como coadjuvante e põe em destaque os policiais e a caçada

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2019 | 03h00

Disponível na Netflix, o longa Estrada Sem Lei pulou os cinemas e foi direto para o streaming com uma proposta audaciosa: revisitar sob outro ângulo a história do casal de bandidos Bonnie e Clyde, que caiu no gosto popular após aterrorizar os EUA nos 1930. O filme quase não tem semelhanças com o clássico Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas (1967), com Faye Dunaway e Warren Beatty. Dessa vez, poucos são os momentos de ação com troca de tiros e violência e o casal de foras da lei são coadjuvantes, quase figurantes. 

Dirigido por John Lee Hancock (Um Sonho Possível, Fome de Poder), Estrada Sem Lei tem um time de atores consagrados, como Kevin Costner, Woody Harrelson, como dois policiais aposentados e decadentes, e Kathy Bates, como governadora do Texas. Após fracassos na captura de Bonnie e Clyde pelas forças policiais regulares, a governadora recruta Frank Hamer e Maney Gault para caçar o casal, dando início a uma longa viagem pela América profunda. 

Os dois personagens estão velhos e enferrujados. Tiveram seus dias de glória, mas parecem não ter chance de êxito na caçada. É sob a ótica deles que o longa se desenvolve. Os criminosos são vistos de longe, o que reforça o clima de mistério e a aura do casal que era idolatrado pelo povo. O ritmo do filme pode ser considerado lento para quem espera ação, e isso é ótimo. A reprodução de época é perfeita e remete aos primeiros anos da década de 1930. Carros, estradas e figurino são impecáveis. 

No tempo em que os jornais de papel e o rádio eram as únicas fontes de comunicação e o telefone um artigo de luxo, Bonnie Elizabeth Parker e Clyde Chestnut Barrow pegaram a estrada na região central dos EUA com uma gangue fortemente armada durante a Grande Depressão. Em seus assaltos, não pensavam duas vezes antes de matar policiais. Apesar da violência metódica, o casal era bom de marketing e foi ganhando popularidade enquanto fugia da polícia com aparente facilidade.

Foram os jornais que forjaram, com cobertura sensacionalista, o mito. A glamourização fez com que eles fossem pintados com ladrões de bancos, mas a grande maioria das ações, na verdade, ocorreu em pequenos estabelecimentos. 

 

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