'Esse é o momento de investir no Brasil', diz presidente da BBC

Entrevista: Jana Benett, presidente da BBC Worldwide Networks, braço comercial da rede britânica

ALLINE DAUROIZ - O Estado de S.Paulo,

19 de junho de 2012 | 11h16

O fato de o Brasil ter mais domicílios com TV do que com geladeira foi o que mais impressionou a equipe da BBC na pesquisa sobre o País, contou, em entrevista ao Estado, a presidente da BBC Worldwide Networks, Jana Bennett, que há 20 anos visita o País a trabalho. “Vocês têm uma cultura televisiva incrível e há uma tremenda projeção do crescimento do HD. Esse é o melhor momento para investir.”

O BBC HD conseguirá se adequar à nova lei da TV paga (que prevê conteúdo nacional em horário nobre) já em setembro?

Sim. Vamos começar com a série Recortes do Brasil, do Canal Futura, sobre meio ambiente, história e cultura. Depois, queremos investir em música brasileira, em uma série sobre a selva da América do Sul, e na série The Wild Brasil, já em produção. Já a dramaturgia é um plano para quando o canal estiver estabelecido.

O que você achou dessa lei?

Acho que essa lei pode nos beneficiar, porque permite que canais estrangeiros se conectem mais com a cultura brasileira, aumentando a atratividade e importância do canal no País. E vamos produzir conteúdo que poderá ser exportado, o que é ótimo, ainda mais agora, com os olhos do mundo voltados ao País, por causa da Copa e da Olimpíada. Temos é que ser criativos, com abordagens de relevância e apelo mundiais, mas que falem diretamente com o povo brasileiro.

Vocês vão continuar a vender conteúdo para outros canais?

O número de produções da BBC não cabe num único canal. E é bom que nossos programas fiquem conhecidos do grande público. Então, sim, continuaremos a vender programas. Mas claro que precisamos fortalecer o canal BBC HD no Brasil. O que pode acontecer é o Fantástico, da Globo, agora exibir nossos documentários editados, e a íntegra ficar reservada para o canal pago.

Que conteúdo vocês acham que os brasileiros preferem?

Só com o canal no ar veremos o que funciona. Música britânica tem público aqui, vide o Rock in Rio. Sherlock é uma trama universal e foi bem recebida em muitos países. Mas aposto em Top Gear (programa automobilístico). Aqui é o país do Ayrton Senna, vocês amam carros. E, ainda que não tenhamos data para levar ao ar, acho que shows como o Dancing with the Stars podem dar certo.

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