Raquel Cunha/TV Globo
Raquel Cunha/TV Globo

'Éramos Seis', um clássico familiar, volta às telas com Glória Pires e Antonio Calloni

Glória Pires e Antonio Calloni falam sobre a nova adaptação do livro de Maria José Dupré, que estreia na Globo no dia 30

Eliana Silva de Souza, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2019 | 07h00

Uma viagem no tempo, mais especificamente pelos anos 1920, é o que promete a novela Éramos Seis, que estreia dia 30, no horário das 18h, na Globo. Baseada no livro de Maria José Dupré, a trama ganha agora uma nova versão pelas mãos de Angela Chaves. Essa será a quarta transposição do clássico da literatura nacional para a TV. E, como nas anteriores, terá elenco encabeçado por nomes consagrados.

A história segue a trajetória de uma humilde família paulista, formada pela mãe Dona Lola, que ganha a potência dramática de Glória Pires, seu marido Júlio, que terá as feições firmes e intensas de Antonio Calloni. Tem ainda os quatro filhos, Carlos (Xande Valois/ Danilo Mesquita), Alfredo (Pedro Sol/ Nicolas Prattes), Isabel (Maju Lima/ Giullia Buscacio) e Julinho (Davi de Oliveira/ André Luiz Frambach). A direção artística é assinada por Carlos Araújo, enquanto o figurino de época é de Labibe Simão.

Uma das atrizes mais admiradas da TV, que surgiu na telinha ainda criança e conquistou o público com seus mais diversos personagens, ora meiga ora má, muito má mesmo, Gloria Pires está de volta, agora assumindo o papel dessa mãe de família, que terá de enfrentar o que a vida lhe reserva. Para a atriz, sua Lola não é exatamente uma feminista, mas sim uma mulher de sua época, com todas as dificuldades inerentes ao período. “A Lola tem bom senso e, embora o movimento feminista seja contemporâneo, ou até de antes dessa fase, os ecos desse movimento faziam parte da rotina das pessoas”, explica Gloria, mostrando que, nessa versão, a personagem ganhará algumas características diferentes, tendo mais opinião sobre outros aspectos da sociedade.

“Eu tenho a impressão de que a autora quer valorizar a sororidade, enaltecendo o papel que sempre foi das mulheres, mesmo não sendo reconhecido, de mola propulsora, pois são elas, e ainda o são em grande parte do tempo, quem tem a função de cuidar da família; por isso mesmo, estão ligadas a um pensamento de futuro, da educação dos filhos, da manutenção do lar, do casamento como instituição”, conta. E é seguindo esse raciocínio que Glória afirma sentir que a autora traz um ar novo para essa história, ao colocar em destaque o sentido de irmandade. “Na trama escrita pela Angela (Chaves), as mulheres se protegem, e isso é algo novo, pois a dramaturgia se serve muito dessa visão antiga, de mulher que vê mulher como rival – e essa visão antiquada feminina não está na novela.”

De acordo com Glória, a história caminha com a família, que é o foco da trama, mas ela ressalta que a casa em que moram também é um personagem importante, que representa a união de seus moradores, guardando suas conquistas e sonhos. Apesar de se uma novela de época, passada em três décadas, de 1920, 30 e 40, trata-se de uma história atemporal. “O que existe hoje sempre existiu, porque são conflitos humanos, e a gente observa na história da humanidade pessoas que saíram da caixinha, porque existia a necessidade de se impor, achar seu lugar, ser reconhecido, pessoal ou profissionalmente”, afirma Glória.

Para viver essa mulher, nessa versão da novela primando pelo ponto de vista feminino, com uma Lola questionadora, amorosa e determinada, Glória revela que teve inspiração nas mulheres de sua família. “Sem dúvida minha mãe e minha avó estão muito presentes, pois volta à mente da gente coisas que ouvia delas, expressões, pensamentos”. Nas adaptações anteriores de Éramos Seis, a personagem de Dona Lola foi interpretada Gessy Fonseca, Cleyde Yaconis, Nicette Bruno e Irene Ravache.

Depois de viver o médico criminoso Roger Sadala na série Assédio, Antonio Calloni teve um pequeno respiro com o seu Egídio, de O Sétimo Guardião. Agora terá pela frente dar vida a Júlio, patriarca da família Lemos, na nova versão da novela Éramos Seis. O ator conta que seu personagem é um homem com grande dificuldade de expressar seus sentimentos, principalmente com os filhos homens.

“O Júlio teve uma educação muito rígida, apanhava do pai, que tinha a intenção de fazê-lo tomar a atitude correta com a vida, e ele repete esse método com os filhos homens, o que não faz com a filha, que é sua predileta, nem com a Lola, por quem tem muito carinho”, conta Calloni. Além dessa barreira sentimental, há ainda a questão de que Júlio é homem e, naquela época, a cobrança por ser o provedor da casa era ainda maior. Tantos são seus dilemas e conflitos que ele até adoece, tem úlcera, mas não dá atenção a isso, não quer se tratar. “Ele é um personagem muito rico e, acima de tudo, muito simples e humano”.

Calloni revela não ter se inspirado em ninguém para compor o personagem, pois “a essência masculina ainda continua a mesma”. justifica. “Acho que o homem melhorou, mas ainda precisa melhorar muito, estamos longe de erradicar essa educação machista, da superioridade masculina, ser provedor”, avalia o ator, que assume que também teve sua educação machista. “Tenho que ficar atento a minhas atitudes e meus pensamentos”.

Para o ator, a novela traz assuntos importantes e perenes, como lutar por seus objetivos na vida e os desejos inerentes aos seres humanos, mostrando também como ainda preservamos algumas características daquela época. Com todos os seus conflitos familiares e profissionais, Júlio encontrou uma válvula de escape, Marion, a dançarina do cabaré. “O Júlio não é um cara certinho, tem muitos defeitos, mas para a época, um homem ir num cabaré era aceito, tinha o olhar da mulher que fingia não perceber, não era tão transgressor, era quase um hábito, era meio escamoteado, as pessoas sabiam mas aceitavam.”

E Calloni não deixa de lembrar dos atores que fizeram as versões anteriores. “É muito interessante, sou agradecido ao (Gianfrancesco) Guarnieri e ao Othon (Bastos) pela carreira que tiveram e a herança que deixaram, sou agradecido a esses atores e espero honrar esses personagem.” 

 

Antonio Calloni usou sua formação para compor papel

Depois de viver o médico criminoso Roger Sadala na série Assédio, Antonio Calloni teve um pequeno respiro com o seu Egídio, de O Sétimo Guardião. Agora terá pela frente dar vida a Júlio, patriarca da família Lemos, na nova versão da novela Éramos Seis. O ator conta que seu personagem é um homem com grande dificuldade de expressar seus sentimentos, principalmente com os filhos homens.

“O Júlio teve uma educação muito rígida, apanhava do pai, que tinha a intenção de fazê-lo tomar a atitude correta com a vida, e ele repete esse método com os filhos homens, o que não faz com a filha, que é sua predileta, nem com a Lola, por quem tem muito carinho”, conta Calloni. Além dessa barreira sentimental, há ainda a questão de que Júlio é homem e, naquela época, a cobrança por ser o provedor da casa era ainda maior. Tantos são seus dilemas e conflitos que ele até adoece, tem úlcera, mas não dá atenção a isso, não quer se tratar. “Ele é um personagem muito rico e, acima de tudo, muito simples e humano”.

Calloni revela não ter se inspirado em ninguém para compor o personagem, pois “a essência masculina ainda continua a mesma”. justifica. “Acho que o homem melhorou, mas ainda precisa melhorar muito, estamos longe de erradicar essa educação machista, da superioridade masculina, ser provedor”, avalia o ator, que assume que também teve sua educação machista. “Tenho que ficar atento a minhas atitudes e meus pensamentos”.

Para o ator, a novela traz assuntos importantes e perenes, como lutar por seus objetivos na vida e os desejos inerentes aos seres humanos, mostrando também como ainda preservamos algumas características daquela época. Com todos os seus conflitos familiares e profissionais, Júlio encontrou uma válvula de escape, Marion, a dançarina do cabaré. “O Júlio não é um cara certinho, tem muitos defeitos, mas para a época, um homem ir num cabaré era aceito, tinha o olhar da mulher que fingia não perceber, não era tão transgressor, era quase um hábito, era meio escamoteado, as pessoas sabiam mas aceitavam.”

E Calloni não deixa de lembrar dos atores que fizeram as versões anteriores. “É muito interessante, sou agradecido ao (Gianfrancesco) Guarnieri e ao Othon (Bastos) pela carreira que tiveram e a herança que deixaram, sou agradecido a esses atores e espero honrar esses personagem.”

 

 

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