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'Entrevista Aberta' fala da censura feita à novela 'Roque Santeiro'

A jornalista Laura Mattos, autora do livro 'Herói Mutilado', sobre as interferências dos militares nos textos do autor Dias Gomes, foi recebida pelo 'Estadão' na Casa Bona

O Estado de S.Paulo, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2020 | 08h00

A jornalista e escritora Laura Mattos, da Folha de S.Paulo, foi recebida pelo jornalista Julio Maria, do Estadão, para o segundo encontro da série 'Entrevista Aberta'. Laura falou de seu livro Herói Mutilado: Roque Santeiro e os Bastidores da Censura à TV na Ditadura, que narra as interferências dos governos ditatorias sobre os textos de Dias Gomes. Roque Santeiro, a novela exibida pela Globo em 1985, teve, antes disso, dois momentos de censura. O primeiro se deu, na verdade, quando o texto ainda era para o teatro de uma peça chamada O Berço do Herói, de 1965, impedido de ser montado pelos militares. Dez anos depois, o texto é adaptado para a TV e, depois de ter mais de 30 capítulos gravados de Roque Santeiro, a Globo foi informada de que o novela não iria ao ar pela censura. E finalmente, em 1985, ainda que tendo muitos diálogos e cenas extraídos a pedido dos militares, vai ao ar a história de Viúva Porcina e Sinhozino Malta.

Laura lembra de que a própria emissora Globo, cansada das interferências do regime, contratou um ex-censor, José Leite Ottati, para ajudar a maquiar os episódios de forma que eles não tivessem problemas com Brasília. Fez uma relação com os tempos atuais, falou da maléfica auto-censura ("os professores pensam cada vírgula que vão dizer hoje em dia") e lembrou do que lhe disse o autor de novelas Marcílio Moraes. "Mandala (exibida entre 1987 e 1988), que tratava de um caso incestuoso, jamais iria ao ar nos dias de hoje". Ao final da entrevista, a cantora Patrícia Bastos e o violonista Norberto Vinhas interpretaram músicas da sensacional trilha de Roque Santeiro

 

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