Encarcerado no próprio corpo

Em O Escafandro e a Borboleta, Julian Schnabel transforma o imobilismo em ação

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 20h40

A história é incrível e verdadeira: ex-editor da revista francesa Elle, Jean-Dominique Bauby sofreu acidente cerebral quando dirigia e ficou paralítico, podendo mover apenas um olho e a língua. Apesar de tamanha limitação, ele conseguiu criar um código com uma enfermeira que, a partir de piscadas, foi possível estabelecer comunicação. Mais: conseguiu escrever um livro sobre seu drama e parcial recuperação. A obra, O Escafandro e a Borboleta (lançado no Brasil pela Martins Fontes), despertou atenção do diretor Julian Schnabel, que o transformou em um belo filme, liberado agora para a venda pela Europa. Admirador de grandes figuras humanas (dirigiu também Basquiat - Traços de uma Vida e Antes do Anoitecer), Schnabel deparou-se aqui com um grande dilema: como transformar em ação a história de um homem cujo principal drama é estar encarcerado no próprio corpo? Para isso, contou com um grande ator, Mathieu Amalric, em atuação sensível e até cômica, sem debandar para o grotesco. Em tempo: escafandro é uma espécie de armadura usada por mergulhadores e a borboleta do título é a maneira como Jean costumava chamar seu olho sadio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.