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Em novo reality, Olivier põe a comida em primeiro plano

Francês deixa o mise-en-scène de lado em ‘Cozinheiros em Ação’

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2013 | 19h11

A conversa aqui não é sobre “gastronomia, que disso ninguém entende”, esclarece Olivier Anquier. “A gente está falando de receita de casa, e casa é gente, é família, tem valores.” Antes de mais nada, explica o apresentador, é esse o foco do Cozinheiros em Ação, reality show que põe Olivier em cena bem distinta daquela vista há 16 anos em Diário do Olivier, no mesmo GNT. Com formato original, o programa põe 18 pessoas anônimas que gostam de cozinhar para disputar um primeiro lugar à beira do fogão.

O prêmio – R$ 10 mil, mais eletrodomésticos para uma cozinha completa e produtos de limpeza – é modesto perto do que prometem realities de confinamento, como Big Brother e A Fazenda. Faz parte do show: aqui, os candidatos têm outras aspirações, de ordem afetiva.

 “Não são profissionais, são pessoas de todo o País. Contemplamos o território brasileiro e todas as camadas sociais. Misturar gente de camadas sociais e intelectuais distintas já cria uma sinergia única: quando tiramos as cascas de proteção, somos todos iguais nas nossas reações, impressões e dores.”

O corpo de jurados é formado por Ivan Achcar, Monica Rangel e Renata Vanzetto, todos muito bem a par do foco do programa: cozinha brasileira. A prova final é uma receita para um almoço de domingo em família.

Pela primeira vez, Olivier – que faz até as vezes de motorista no Diário – não se envolveu completamente na produção. Deu lá sua opinião sobre os jurados e participantes, mas garante que abriu mão das decisões.

Seu papel é de mediador, embora permita-se às vezes discordar do júri. Não se esquiva de socorrer participantes em apuros. E diz que está ali para aprender – embora não deixe de dar suas dicas. “Mas não sou chef”, avisa, “sou cozinheiro”.

Com produção da Moonshot Pictures e direção de Roberto D’Ávila, Cozinheiros em Ação vai ao ar todas as quintas-feiras, às 20h30, em 13 episódios já gravados.

 

Estilo Gordon Ramsay não está no menu de Olivier

 

O júri do seu programa não é de passar a mão na cabeça dos competidores, mas você também não chega a ser malvado como Gordon Ramsay (apresentador do internacional Hell’s Kitchen).

Com grosseria e agressividade, a gente não vence. Gordon é agressivo, é tudo baseado na humilhação. A gente faz uma coisa para crescer, se é pra alimentar uma mediocridade, pra que fazer? Eu não sou ladrão de tempo. O espectador aprende, nós aprendemos, é tudo construtivo.

Você tem sempre foco na questão brasileira. Acredita que os estrangeiros têm um olhar que os nativos perdem?

Morei anos no pé da Torre Eiffel e pra mim não tinha valor. Subi lá pela primeira vez com 37, 38 anos, com meus filhos. A gente não enxerga o que tá aqui. Um dos traços de meu país é gostar do diferente. Estou no Brasil há 33 anos. Acho que você demonstra seu entendimento do território que deseja integrar sendo o mais próximo das características desse território, da língua, do jeito de falar. Sei que não falo um português perfeito, mas falo um português elaborado. E é sincero.

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