Em ‘Na Pele’, jornalista vive o dia a dia ao lado de sem-teto, atleta e até stripper para entender os personagens

Juliana Sana faz imersão na vida de alguém que tenha uma função que ela queira experimentar

João Fernando, O Estado de S. Paulo

24 de dezembro de 2013 | 11h04

Tirar a roupa em público, dormir na rua ou ter de comer restos deixados na lixeira sem ganhar prêmio nenhum parece maluquice, mas é o dia a dia de Juliana Sana, estrela do programa Na Pele. Na atração, exibida todos os domingos, às 23 h, no Multishow, a jornalista passa por uma imersão na vida de alguém que tenha uma função que ela queira experimentar, como stripper, passista de escola de samba e até sem-teto.

“Acho a vida real muito mais interessante que um filme”, defende a gaúcha, de 36 anos. Criadora da atração ao lado do marido, o catalão Salvador Llobet, que a dirige, ela passou um ano acompanhado o cotidiano dos diferentes personagens em que almejava se tornar por alguns dias, como uma diretora de filme pornográfico, fotógrafa de tubarões e dançarina de funk.

Para entender o comportamento de cada um, Juliana passava semanas hospedada na casa desses profissionais. “Quando eu falava que ia morar, elas se assustavam, pois nunca tinham me visto”, conta. A gaúcha, porém, se adaptava rápido. “Estou até nas brigas de família.” Em alguns casos, ela sentiu a adaptação no corpo, como no mês em que treinou para ser boxeadora. “Mudei fisicamente, emagreci”, relembra ela que, no episódio em questão, se deu mal. “Quebrei um dente.”

Juliana abriu mão de qualquer conforto para rodar o Na Pele. Ao acompanhar o dia a dia de um grupo de sem-teto, em Los Angeles, dormiu com eles em um carro enquanto a equipe pernoitava em um hotel. “O diretor me deixou sem dinheiro. Alguns deles eram ex-drogados e ex-traficantes. Fiquei sem câmera, com medo de que me roubassem. Estava desconfiada o tempo todo”, descreve ela, que comia o que os companheiros pegavam do lixo. “Ficávamos observando o que as pessoas jogavam fora e pegávamos. No primeiro dia, não comi. Depois, deu fome”, confessa.

Ela garante que a família não se desesperou ao saber de suas aventuras. “Eles estão acostumados. Saí de casa aos 18 para morar em Nova York e me virei, nunca tive grana. Sempre me deram a maior força”, minimiza. O marido tampouco se incomodou. “Ele é de Barcelona, tem uma mente aberta”, justifica. Juliana, entretanto, pensou duas vezes ao encarar os dias como stripper. “Foi o mais difícil pessoalmente, por ter de ficar nua. Eu estava quase desistindo”, entrega. Após as gravações, a loira, que também é cinegrafista, foi responsável por editar o material. “Tento não julgar aquelas pessoas. Não é uma conclusão jornalística, é pessoal. Sou uma mulher forte e que experimenta as coisas sem deixar de ser feminina.”

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