Ellen Soares/Divulgação
Ellen Soares/Divulgação

Em entrevista co 'Estado', Alexandre Nero fala como lida com a fama

Na reta final de ‘Império’, ator que vive pela primeira vez o papel principal garante rebater críticas

Entrevista com

Alexandre Nero

João Fernando, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2015 | 07h00

RIO-José Alfredo, papel de Alexandre Nero em Império, causou rebuliço ao ter cenas quentes com a amante, forjou a própria morte e agora vai escapar de um tiro, de cima do carro alegórico. Entre altos e baixos, a trama do Comendador conseguiu se manter no papo dos telespectadores e estancar a queda de audiência das novelas das 9, superando a antecessora Em Família

Pela primeira vez protagonista do horário nobre, o ator diz sentir o peso do trabalho na reta final da novela, que termina em março. Depois, ele se prepara para estrelar a próxima trama de João Emanuel Carneiro. Em conversa com o Estado, Nero fala sobre o impacto da nova função em sua vida e conta por que costuma fazer piada com as notícias a seu respeito e rebater comentários de anônimos nas redes sociais.

O José Alfredo é seu primeiro protagonista de novela das 9. Agora que a novela está terminando, como você sente essa mudança de status?

Essa coisa de ser estrela ou não estrela, de se sentir melhor ou pior, não mudou nada. Convivo diariamente com Caio Blat, Lília Cabral. Você daria risada se eu dissesse que me acho melhor do que algum deles. A partir do momento em que você começa a fazer personagens grandes, entra em um nicho que exige mais responsabilidade. As críticas vão sobrar para você mesmo quando não é culpa sua. Se essa novela fosse um fracasso, certamente seria porque o Aguinaldo (Silva, autor) teria escolhido o protagonista errado. No caso, eu. Como deu certo, a culpa é de todo mundo. Na TV, é como se você tivesse sido promovido, mas é uma coisa de carga horária, você trabalha mais horas que os outros. 

Tudo aconteceu de acordo com o que você esperava?

Minha maneira de lidar com as coisas é tentar zerar o máximo de expectativa possível. Não fico procurando fazer sucesso. Claro que fazer o fracasso a gente nunca tenta, procuro fazer o melhor. No começo, eu estava tranquilo. Sabia que não dependia exclusivamente de mim. Agora, me sinto satisfeito com o fato de o público ter aceito esse personagem. O Comendador é um fenômeno, vi as pessoas fazendo fantasia de carnaval dele. Não existe nada mais popular. Acho que ele entrou para o rol de personagens populares. 


Você é muito ativo nas redes sociais. Qual é a sua resposta direta do público?

Quando saio na rua, o que é muito difícil, percebo que é um fenômeno. Nas redes sociais, as pessoas me marcam nas fotos. Quando a gente vai gravar na rua, se torna uma coisa próxima dos Beatles. É uma coisa louca, pois estou vestido de Comendador. É quase um surto. Em outras ocasiões, quando sou eu mesmo, no mercado, dizem que sou maravilhoso, que me amam. Em geral, falam: ‘Eu não sou de fazer isso, mas poderia tirar uma foto?’. Ninguém tem coragem de falar que não gosta de mim pessoalmente. Na rede social, fazem questão. 

Como você lida com isso?

Fama nada mais é do que ser amado e odiado gratuitamente. Tem de ter muita paciência. É muito difícil. TV é a popularização da sua pessoa física. Você começa a ser difamado, dá ibope para os outros canais. Falar bem não vende nada. Essa é a parte difícil de se trabalhar. 

Fica abalado?

Se ficasse mal com todo mundo que me xinga, eu estaria no hospício. Eu saio para o combate. Parece que o artista tem de ser uma pessoa inerte, absorver todas as críticas, boas ou más. O crítico tem todo o direito de falar mal do meu trabalho e eu, de rebater. Agora, tenho espaço para isso: a internet. Posso mandar uma pessoa à m... se ela também fizer isso. Sou um ser humano. A desumanização do artista é uma coisa que insistem em fazer, como se ele não pudesse errar, ser antipático, como se tivesse de estar o tempo todo sorrindo. Erro para caramba. Quero ser normal, as pessoas é que não deixam.

Você se sentiria diminuído se fosse chamado para um programa em outro horário com menos visibilidade e audiência?

O que me incomoda é o personagem e a obra que vai ser feita. Acho que o horário em que vai ao ar não difere. Pode ser às 3 da manhã. As pessoas confundem sucesso com audiência. Sucesso é uma coisa que arrebata as pessoas. É o arrebatamento que vai fazer a diferença. Número é interessante para quem trabalha diretamente com o dinheiro. Eu, o diretor e o autor não trabalhamos assim. Já cansei de fazer espetáculos para 5 mil pessoas e outras vezes para quatro. Esse de quatro pessoas repercutiu mais. Cara, eu sei o que é chegar à Sapucaí, fazer assim (acena) e as pessoas gritarem. E aí vêm falar que a novela não está legal de ibope. 

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