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Em cinco episódios, ‘Todas as Manhãs do Mundo’ estreia no National Geographic

Programa consumiu dois anos de trabalho e começa a ser exibido no dia 4 de outubro; apresentação é de Lawrence Wahba

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2015 | 04h00

O amanhecer em cinco diferentes biomas do planeta, sob uma perspectiva que foge do catastrofismo, norteia a bela série Todas as Manhãs do Mundo. Com Lawrence Wahba, o programa estreia no dia 4, domingo, às 22h15, no canal National Geographic, começando pela Amazônia. Em cinco episódios, seguem-se a floresta temperada no Canadá, o contraste entre deserto e mar, no México, o Ártico na Noruega do sol da meia-noite e as savanas de Zâmbia.

Wahba vai narrando as dificuldades de cada missão, o expediente à espera do flagrante ideal, os riscos capazes de cativar a tensão da audiência, e, ao fim de cada episódio, uma historinha de bastidores que faz a alegria do espectador em saber como a equipe sobreviveu às cenas selvagens ali registradas. Na estreia, veremos como o apresentador se safou de ser abocanhado por uma jacaré que ficou a uma distância aquém do recomendado por João Jacaré, o mateiro que auxilia a equipe. Foi só o mais arriscado dos perrengues na floresta, onde o plantão foi longo e tenso, em torno dos macacos bugios e da desova das tartarugas.

Quando perguntamos ao cineasta onde ele enfrentou mais dificuldades nessa jornada que durou dois anos, 13 cinegrafistas e 42 semanas de filmagens, Wahba diz que cada lugar tem suas peculiaridades, mas é a floresta amazônica, fechada, o mais desafiador. “Tem a pressão da caça, do desmatamento, os bichos têm muito medo”, fala ao Estado. “Se você vai à África, no Parque South Luangwa, desde os anos 50, as pessoas fazem safári de jipe e não atacam os animais. O leão ignora o jipe, é como se fosse uma árvore. O animal tem dois instintos, o de se alimentar e se defender. No momento em que ele aprendeu que o jipe não é nem presa nem ameaça, ele ignora. E na Amazônia, os macacos são mortos por índios ribeirinhos que comem a carne deles, as tartarugas são muito ariscas.”

O projeto nasceu com a produtora francesa Bonne Pioche, vencedora do Oscar de documentário em 2006 por A Marcha dos Pinguins. Ganhou parceria da brasileira Canal Azul e rendeu daí uma versão francesa e uma brasileira. “O Emmanuel (Priou, produtor), da Marcha dos Pinguins, é meu amigo há muitos anos e me chamou para fazer com ele. Inicialmente, ele estava me contratando para a versão francesa. O curioso é que a versão francesa não é para canal de aventura e animais, é para o canal Arte. Toda a fotografia, essa poesia de trabalhar com animais fora de quadro, desfocados, vem como proposta mais contemplativa. A gente trabalhou com câmera de cinema, outra linguagem.”

Wahba apresentou a ideia ao National Geographic e criou a vertente brasileira. “As imagens são as mesmas, mas tem um trabalho com roteiristas brasileiros, a trilha é composta pelo Fábio Cardia, a gente fez outro projeto.”

O cineasta avisa que abordar a natureza pela perspectiva do “meio copo cheio” é o que faz a diferença em Todas as Manhãs do Mundo. “A maior parte dos documentários recentes fala no meio copo d’água vazio - Earthlings, do Joaquim Phoenix, o Verdade Inconveniente do Al Gore, o De Cove, que ganhou o Oscar mostrando a matança de golfinhos do Japão, The Eleventh Hour, do Leonardo Di Caprio, são todos catastrofistas, alarmistas. Em vez de ‘Olha, o mundo está acabando’, a gente procurou mostrar ‘existem essas belezas, vamos preservar’. O amanhecer vale como metáfora de novo ciclo que se inicia e a chance de mudar a sua relação com o planeta.”

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