Michael Rozman/Warner Bros. via AP
Michael Rozman/Warner Bros. via AP

Ellen DeGeneres se despede de seu talk show após enfrentar polêmicas

Depois de mais de 3.000 episódios, 'The Ellen DeGeneres Show' chega ao fim nesta quinta-feira, 26

Andrew Marszal, AFP

26 de maio de 2022 | 15h05

Durante quase duas décadas, o programa de televisão de Ellen DeGeneres divertiu os espectadores nos Estados Unidos e combateu estereótipos com uma dose de humor e outra de celebridades.

Contudo, depois de mais de 3.000 episódios, o 'talk show' que competiu com o de Oprah Winfrey chega a seu fim nesta quinta-feira, 26, ofuscado por acusações de relações tóxicas no trabalho e de contradizer seu mantra de "seja legal". 

"Quando começamos este programa, em 2003, não existiam iPhones nem redes sociais. O casamento entre pessoas do mesmo sexo não era permitido", disse DeGeneres depois de gravar o último episódio no mês passado. 

"Vimos o mundo mudar, às vezes para melhor, e às vezes para pior", acrescentou.

Não há dúvidas de como a cena cultural mudou desde que a comediante se declarou lésbica em 1997 em uma entrevista à revista Time, ao mesmo tempo em que sua personagem na série de televisão Ellen também o fez.

DeGeneres foi reverenciada como um ícone do movimento LGBTQ+, mas sua série acabou sendo cancelada em 1998 em meio a uma onda de ataques. Cinco anos depois, ela se reinventou como anfitriã de um programa de entrevistas.

"Foi uma sensação, um marco", opina Mary Murphy, professora associada de jornalismo da Universidade do Sul da Califórnia. 

"Ela pavimentou o caminho. Provavelmente foi, e talvez ainda seja, a pessoa LGBTQ+ mais famosa dos Estados Unidos."

'Amiga das celebridades'

A lista de convidados de DeGeneres, que incluía celebridades de primeira linha, foi crucial para o sucesso do programa, especialmente nas regiões mais conservadoras dos Estados Unidos. 

Durante 19 temporadas, as estrelas de Hollywood e do universo pop competiram por um lugar no sofá de DeGeneres, para o qual eram convidados para promover seus projetos e para ser, às vezes, objeto de piadas e brincadeiras.

Alguns estiveram ali mais de uma dezena de vezes. Jennifer Aniston, a primeira convidada do programa, retorna nesta quinta para o episódio final.

"Ela é uma amiga das celebridades. Elas sabem disso, e ela faz tudo de forma jovial", comenta Murphy.

"Talvez, pelo fato de ela mesma ter sido tão queimada, não queria fazer isso com os outros. Não havia armadilhas."

'Cultura de trabalho tóxica'

Contudo, os rumores sobre um bastidor menos jovial começaram a ganhar corpo com uma publicação de 2020 no site BuzzFeed, que afirmava que o programa tinha uma "cultura de trabalho tóxica", incluindo assédio sexual, bullying e racismo.

Três produtores foram demitidos, e DeGeneres foi acusada de não ser tão agradável com os funcionários em particular como era em público.

Em maio, a comediante anunciou o fim do programa, mas negou que isso fosse uma consequência dessas acusações. 

"Preciso de um novo desafio", disse ela à publicação The Hollywood Reporter.

Mas DeGeneres foi alvo de mais polêmicas, como quando defendeu o comediante Kevin Hart depois que ele foi "cancelado" e desistiu de apresentar a cerimônia do Oscar em 2018 por publicar uma série de tuítes homofóbicos.

"De repente, ela caiu em desgraça", assinala Murphy.

"Ela parecia estar conectada com as celebridades e com o público, mas não com as pessoas que trabalhavam para ela."


 

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