Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Elizangela brilha no papel da mãe que sofre em ver a filha seguir o caminho do tráfico

Atriz é a Aurora, de 'A Força do Querer'

Eliana Silva de Souza, O Estado de S. Paulo

06 Agosto 2017 | 06h00

Ritinha, Bibi, Ivana, Jeiza, Joyce, Silvana, Irene, Zuleide, Aurora. Na novela das 9, A Força do Querer, de Gloria Perez, as personagens femininas têm as mais variadas personalidades, mas são fortes – cada uma à sua maneira, para o bem ou para o mal. Todas se destacam pela interpretação das atrizes que lhes dão vida, entre elas uma veterana da telinha, Elizangela, que interpreta Aurora, a mãe da inconsequente Bibi. 

Em mais de 50 anos de carreira, Elizangela atuou em um grande número de tramas, inclusive em Senhora do Destino, que está sendo reexibida nas tardes da Globo. Mas é com Aurora, de A Força do Querer, que a atriz vem colhendo críticas positivas e o reconhecimento de seus fãs. “Fui chamada pelo Papinha, o Rogério Gomes (diretor), para esse papel, e já estava meio preparada, de sobreaviso de como seria esse trabalho”, diz a atriz, sobre o convite para viver essa mãe que tem de lutar para colocar juízo na cabeça da filha, que está se envolvendo com o mundo do tráfico de drogas. 

Com gravações carregadas de emoção, Elizangela conta como determinadas cenas acarretam um certo desgaste, mas também a realização de participar de um trabalho que exige tanto do artista. “Logo no início dessa fase, tem dia de gravação assim, bem pesada, no sentido de ter cenas muito fortes, dia inteiro gravando cenas muito pesadas, de muita emoção, de apreensão. A gente sai bastante cansada, porque tira bastante nossa energia, mas é tão compensador no fim do dia, com a sensação de dever cumprido. Cansada, mas feliz”, conta ela. 

É comum o artista, ao falar sobre a construção de seu personagem, assumir que tem algo pessoal seu ali, que se inspirou em algo ou alguém próximo. “Não faço associação de coisas minhas para transpor para a personagem, para buscar sentimento, emoções”, afirma. “Obviamente, alguma identificação tem, porque também sou mãe, e a preocupação de uma mãe com o filho, quem é mãe sabe muito bem o que é, o quanto isso tira a noite de sono. Então, imagino o que a Aurora está passando. Graças a Deus, não passei por isso, mas, com certeza, esse sentimento eu sei o que seria.”

Nessa trama, as mulheres ocupam um lugar de destaque, com personagens extremamente reais, bem próximas da realidade. No caso de Aurora, as dificuldades de uma mãe que vê sua filha, linda, inteligente, quase uma advogada, sendo enredada pelo marido que decidiu seguir pelo caminho do tráfico de drogas. “Olho a Bibi (Juliana Paes) e vejo uma mulher emocionalmente infantil, acho que ela não amadureceu emocionalmente. Em função disso, acabou esbarrando com uma pessoa manipuladora e, com essa infantilidade emocional, na minha visão, ela foi pega”, reflete a atriz. “Ela quer que o homem repare no cabelo, se cortou, a cor do esmalte da unha, são coisas muito rasas, pueris, muito infantis para uma mulher. Então, ela caiu muito facilmente nas garras dele, ele fala exatamente aquilo que ela quer ouvir.”

A atriz fala da força de sua personagem, uma mãe que não consegue abrir os olhos da filha. “O sentimento de impotência da Aurora é muito grande. Não tem como evitar aquelas situações, por mais que você fale, que tente explicar o que está vendo, ela não te escuta, por mais que diga para não fazer, ela faz. É inconsequente não só com ela, mas com quem está do seu lado”, diz, sobre essa situação-limite entre mãe e filha na novela. “Ela não quer ouvir, pois já está lidando com a decepção com relação ao marido, vai sempre camuflando isso, dando desculpas. Acho que, para a Bibi, essa situação deve ser muito pesada, não é fácil admitir uma decepção”, conclui ela, dizendo ainda que muitas vezes tem “vontade de dar uma chacoalhada na filha Bibi”.

Elizangela elogia a autora Gloria Perez pela criação de personagens tão interessantes e “que não seguem o padrão costumeiro, com a heroína, a mocinha, a boazinha, e a má”. “Os personagens todos são reais. Se parar para analisar, são pessoas do nosso dia a dia, reais, que podem ter um lado positivo e outro não tão legal, algumas que escorregam no caráter, mas todas as mulheres e homens da trama estão bem desenhados.” E, quando analisa a personagem de Juliana Paes, que é inspirada em fatos reais, a atriz enfatiza a transformação dela. “Ela começa a se encantar pelo mundo do poder, para ver que loucura que é, a gente vê a novela e pensa que é ficção, mas não é. O doido é ver que aquilo é real, que está acontecendo naquele momento. Vivemos aquela realidade ali.” 

A atriz conta que viver Aurora neste momento foi um presente que tem ajudado a superar a recente perda de sua mãe. “Estar lidando com extremos de sentimentos, vindo tudo junto, a perda da minha mãe e o boom da novela, é uma coisa que acalenta o coração. Recebo palavras doces, bonitas, que enchem o coração de carinho. Gosto muito do que faço, da minha profissão, só me dá mais gás de fazer meu trabalho.”

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