Fabio Motta|Estadão
Fabio Motta|Estadão

Eliane Giardini faz sucesso como a amável Anastácia na novela das 6

Atriz brilha em seu papel emblemático na novela 'Êta Mundo Bom!'

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2016 | 05h00

Ao longo de sua carreira, Eliane Giardini colecionou um amplo rol de personagens marcantes. Muitas delas, mães memoráveis, como Indira, na novela Caminho das Índias, de 2009, e Muricy, em Avenida Brasil, de 2012. Agora, ela está no ar, na novela das 6 Êta Mundo Bom!, como a amável Anastácia, outra figura materna, que desencadeou toda a trama do folhetim. Quando jovem, Anastácia dá à luz um menino sem estar casada e o pai dela some com o recém-nascido. Após anos de buscas, ela encontra seu filho, Candinho (Sergio Guizé), já adulto. O encontro dos dois, em abril, aliás, garantiu à novela recorde de audiência. Em São Paulo, por exemplo, alcançou 32 pontos de ibope - desde 2010, no último capítulo de Escrito nas Estrelas, uma novela das 6 não registrava média maior ou igual a essa marca.

Até esse momento do encontro, muita coisa aconteceu na vida de sua personagem: foi obrigada a se casar, ficou viúva, herdou a riqueza do marido. “Apesar de a primeira cena ser ela enterrando o marido, era uma cena que marcava uma libertação dessa personagem. A partir dali, ela poderia, com a liberdade e o dinheiro que tem, ir atrás desse filho, que é a coisa mais importante da vida dela. Esse era meu ponto de partida e a gente vai costurando as coisas”, conta a atriz paulista, de 63 anos, em entrevista ao Estado. 

A trama, do autor Walcyr Carrasco, é ambientada nos anos 1940. Eliane já havia feito outras novelas de época. Viveu a Condessa de Gouvarinho em Os Maias, de 2001. Foi Tarsila do Amaral em Um Só Coração, de 2004. “Gosto muito de personagens de época. Não sei que registros a gente aciona quando coloca uma roupa que não está habituado a usar”, diz. “Gosto muito dessa sensação de me sentir outra pessoa, de estar em outro tempo. Para compor personagem, é muito legal. Porque novela tem muito de realismo, roupas modernas, conversa o mais natural possível, o trabalho maior é dar credibilidade ao que você está falando.” 

Ainda nessa linha, a atriz gravou a série Dois Irmãos, dirigida por Luiz Fernando Carvalho, que ainda está inédita na Globo. “Pego a personagem com 40 anos e vou até 75, 80. E termina nos anos 1960. Também tem toda uma viagem de época.” De volta a Êta Mundo Bom!, Eliane comenta sobre as reviravoltas que Walcyr tem feito ao longo da novela - algo que era tradicionalmente reservado para os finais. Eliane aprova esse tipo de narrativa, que é muito comum nas séries. “Acho que elas (as séries) aprimoram o gosto do espectador, treinam o olho dele. São mais ambiciosas nas suas tramas. Nesse ponto, acho que ela influencia, sim (as novelas). Quebram com essa estrutura, e isso é bom para todo mundo: para o autor - ele precisa se preparar mais também para ter mais histórias -, para os atores, para o público.”

Sucesso. Eliane Giardini começou sua carreira no teatro. Nesse período, ela conheceu o ator Paulo Betti, com quem foi casada. Já morando no Rio, na década de 80, foi para a extinta TV Manchete, na novela Helena (1986). Foi quando entrou em contato com os diretores Denise Saraceni e Luiz Fernando Carvalho. Quando Denise foi para a Globo, convidou a atriz para fazer a novela Felicidade, de Manoel Carlos, de 1991. E não parou mais, emendando trabalhos na casa nas últimas duas décadas. “Meu primeiro trabalho foi essa novela e, em seguida, o Luiz Fernando me chamou para fazer Renascer (93).” Ela começou a aparecer na trama de Benedito Ruy Barbosa apenas como Dona Patroa. “Ela não tinha nome. De repente, foi crescendo, ganhou nome. Foi muito importante para mim, foi um grande sucesso.” 

Os anos 200o também foram generosos com a atriz. Ela destaca, sobretudo, três novelas de Gloria Perez em que atuou. Em 2001, foi O Clone, em que vivia Nazira. “Foi um personagem superimportante para mim porque tinha comédia. Eu não sabia que sabia fazer comédia, eu achava que era uma atriz dramática e densa”, graceja. “E, de repente, aquele trabalho foi de uma leveza absurda. Isso ficou incorporado. Nos meus trabalhos todos hoje, onde posso, sempre tem uma pitada de humor, acho que ganhei lá na Nazira.” Depois vieram América, de 2005, interpretando a viúva Neuta, e Caminho das Índias, de 2009, como Indira. Mas 2012 foi outro ano significativo para ela: foi quando ganhou o papel de Muricy, mãe do personagem Tufão (Murilo Benício), em Avenida Brasil, em um dos núcleos mais divertidos do folhetim de João Emanuel Carneiro. “A Amora (Mautner, diretora) dava muito espaço para improvisação. “Entrávamos no estúdio 1h da tarde, começávamos a ensaiar, a improvisar”, lembra. “A gravação tinha início lá pelas 16, 17h da tarde. Era um ritmo completamente diferente de tudo o que a gente faz na televisão.”

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