Ele sobreviveu à ‘maldição’ do sucesso

Famoso por estrelar 'Everybody Loves Raymond', Ray Romano consegue emplacar nova série

Alline Dauroiz

10 de julho de 2010 | 16h00

Ray. "Na sitcom, temos duas piadas a cada minuto e, agora, não posso me esconder nas piadas"

 

 

Ray Romano já foi o ator mais bem pago da história da TV, em 2004, época em atuava como protagonista, roteirista e produtor de Everybody Loves Raymond. Baseada na vida do ator, que é casado há 23 anos e pai de quatro filhos, o show alçou Romano a um seleto grupo: dos atores que fizeram sucesso estrondoso em sitcoms nos anos 90 e 200o, do qual também fazem parte o elenco de Seinfeld e Friends. Everybody chegou a alcançar média de 20 milhões de telespectadores.

 

Curiosamente, os atores que tanto brilharam nessas comédias, hoje encontram dificuldade para emplacar em novas séries. Assim como Julia Louis-Dreyfus (Old Christine), Romano é exceção. Sua nova empreitada como autor e ator, a comédia dramática Men of a Certain Age, estreia na Warner nesta terça-feira, às 22h, e já ganhou 2.ª temporada nos EUA. Também minoria, Patricia Heaton, parceira de Romano em Everybody, estrela The Middle, série que também ganhou 2.ª safra nos EUA e que estreia sua 1ª temporada na Warner nesta quarta-feira, às 21h30 horas.

 

Em entrevista exclusiva por telefone, Romano falou ao Estado por que decidiu escrever sobre os problemas que enfrentam homens de uma certa idade, a dos 50.

 

Everybody Loves Raymond e Seinfeld fizeram muito sucesso, mas foram poucos os atores dessas séries que conseguiram emplacar novos shows na TV. Do que depende o próximo sucesso ou fracasso?

Não sei qual o segredo. Gosto de escrever sobre coisas reais, com as quais as pessoas se identifiquem. E não é fácil. Muita gente só lembra de você como um único personagem. Por isso é difícil para os atores saírem de uma série de sucesso e serem aceitos em outra. Eu não tentaria fazer outra sitcom.

 

Por nove anos, você viveu um feliz pai de família. Por que agora resolveu escrever sobre um homem divorciado e só?

Bem, conheço homens desse tipo. Mas, diferentemente de Everybody Loves Raymond, esta série não é sobre a minha vida. Faz parte do desafio de interpretar algo diferente, não queria fazer a mesma coisa. Joe, meu personagem na série, tem de lidar com outros problemas.

 

Que problemas?

Para os homens da minha idade, o maior problema é encontrar o que ainda dê satisfação, o que faça reacender a paixão pelo trabalho, pela vida. Essa busca é a grande preocupação. Talvez os fãs esperassem mais de comédia. A série até tem comédia, mas é mais real, é drama.

 

Por que acha que te aceitaram em Men of a Certain Age?

Porque não sou a principal história, somos três protagonistas. As pessoas não estão lá só para me ver. Cada um dos três amigos (Scott Bakula vive o ator decadente, porém pegador, Terry; e Andre Braugher interpreta Owen, pior vendedor da concessionária do pai que, por isso, tem autoestima baixa) representa um homem diferente, um alter ego masculino. Achei que a história ficaria melhor tendo esses três caras passando por crises, por diferentes motivos. E é bom ter gente para dividir o trabalho.

 

Escrever drama dá mais trabalho do que escrever sitcom?

Sim. Na comédia, podemos distorcer um pouco a realidade. Na sitcom, temos duas piadas a cada minuto e, agora, não posso me esconder nas piadas. Também é mais difícil desenvolver várias tramas para diferentes personagens. E temos muitas externas, é como rodar um filme toda semana.

 

São só dez episódios na 1ª temporada. Pouco, não?

Sim, mas é o que quero fazer, porque dá muito trabalho. Chega um ponto em que quero trabalhar, mas não 24 h por dia, 365 dias por ano. Quero um tempo para a família. Eu tenho uma vida, até mesmo para que eu possa escrever sobre a vida.

 

Você já emplacou a 2ª temporada. Acha que essa série também terá vida longa?

Não quero fazer muitas temporadas, talvez umas cinco, ou eu estarei na cadeira de rodas quando isso acabar.

 

Só há alguns anos é que a TV passou a focar os dramas masculinos. Por que acha que isso demorou tanto tempo para acontecer? Os homens estão mais sensíveis e querem se ver na TV?

A verdade é que ninguém sabe o que se passa na cabeça deles (risos). E acho que assistindo à nossa comédia, finalmente, as pessoas vão pensar sobre isso. Temos quase 50, mas ainda temos inseguranças. Mas não sei se serão todas as pessoas que nos acharão interessantes. A gente não é mais novinho nem sexy.

 

 

Estreias na Warner:

 

Chuck - 3.ª temporada (amanhã, às 22h), Californication - 3.ª temporada (amanhã, às 23h), The L Word - 6.ª temporada (de terça para quarta, à 0h)

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