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Ele é o rei das enfermeiras

Médico de Hawthorne, Michael Vartan fala do 2º ano da série e defende heróis desconhecidos dos hospitais

Alline Dauroiz , O Estado de S. Paulo

14 de fevereiro de 2011 | 09h00

Enfermeiras (e enfermeiros) do Brasil: se por aqui a classe tem sido tão questionada após sucessivos casos de erros médicos, saiba que nos EUA vocês têm um defensor. Intérprete do oncologista Tom Wakefield, da série Hawthorne, do canal Liv, o ator Michael Vartan foi só elogios à profissão em entrevista por telefone à imprensa internacional, da qual o Estado participou. Vartan, porém, é suspeito para falar. Hawthorne, série que estreia sua segunda temporada no Brasil nesta sexta-feira, às 21 horas, retrata o dia a dia num hospital justamente pelo ponto de vista dos enfermeiros, liderados pela protagonista Christina, interpretada por Jada Pinkett Smith , mulher do ator Will Smith.

Nesta entrevista, o ator - lembrado como o professor Sam, do filme Nunca Fui Beijada ou pelo papel de Michael Vaughn, na série Alias, de J.J. Abrams - fala de seu personagem atual e revela que, na sua carreira, ainda falta viver um bad boy.

Quando a série começou, vocês receberam críticas negativas. Mas agora, vocês estão indo para a 3ª temporada. Houve ajustes na série? O que explica o recente sucesso da trama?

A segunda temporada é muito diferente. A primeira foi um pouco mais lenta, mais para apresentar os personagens. Mas a segunda temporada tem muito mais intensidade, mais romance entre Christina e Wakefield. Há uma grande mudança no hospital. Personagens mudam de cargos, temos novos personagens. É mais emocionante. Acho que a segunda temporada meio que nos ajudou a ter uma terceira.

O visual da série também mudou bastante, não?

Mudou. Diria que a segunda temporada está mais crua, com iluminação mais natural. A câmera se move mais. É um pouco o estilo de filmagem dos documentários. É bom porque não precisa de tanto tempo para arrumar a luz a cada. Às vezes a espera é o realmente o que te mata. Você só quer começar a trabalhar.

O que distingue Hawthorne de outras séries de enfermeiras, como Nursie Jackie?

Nurse Jackie é definitivamente uma comédia de humor negro. É meio louca e excêntrica. Gosto muito, mas é um gênero completamente diferente. Nossa série é muito mais realista. Contamos a vida no hospital do ponto de vista de  uma enfermeira. E a mãe de Jada na vida real é enfermeira, então, a história é muito pessoal para ela. E, sabe, os enfermeiros são verdadeiramente os heróis desconhecidos. São as pessoas que ficam ao lado da cama, confortando os pacientes. Os médicos vêm por uns dois ou três minutos, assinam seus papéise, depois, partem para o próximo quarto. Mas a enfermeira é aquela que senta lá e cuida do paciente. É uma bela história a se contar.

E por que demorou tanto tempo para a TV para colocar os holofotes sobre a enfermeira?

Provavelmente porque as pessoas que controlam as redes de TV não são muito inteligentes (risos). É uma boa pergunta, não sei. A TV sofre hoje de falta de ideias originais, da síndrome do plágio. Se uma série faz sucesso, logo um monte de séries tenta imitar. E a história do enfermeiro tem muito potencial há anos. Há tantas séries médicas, fico surpreso que ainda há novas chegando. Acho que elas  são bem sucedidas porque lidam com a vida e a morte. E nos hospitais temos tantas histórias, que podem ser contadas de tantas maneiras. Ninguém quer ver uma série por nada  - Seinfeld talvez tenha sido a única exceção (risos). As pessoas querem sentir alguma coisa, querem ser levadas a pensar, querem rir, às vezes chorar.

O que faz o seu médico único entre tantos médicos TV?

Sou canhoto, e a maioria dos médicos de TV são destros (risos). Não sei. Levo meu personagem a sério e tento trazê-lo para a vida da melhor maneira possível. Mas se vamos ser honestos: a série é sobre a personagem de Christina. E muitos dos personagens ao seu redor são escritos para apoiá-la. E estou completamente à vontade com isso.Wakefield é um tipo bem normal e só tento fazê-lo um pouco mais parecido comigo. Mas, na segunda temporada, ele tem um acidente e  ele muda um pouco sua personalidade.

Tendo em vista que Christina, às vezes, desafia os limites da ética, como tem sido o retorno da classe dos enfermeiros?

Pelo que sei, é muito positivo. Acho que as pessoas entendem que, no fim das contas, isso é um programa de TV. Não é documentário sobre PS, às vezes tomamos a certas liberdades com só para fazer a série mais interessante. E muito desse retorno positivo acontece por que somos muito bons em procedimentos médicos. Temos uma equipe da área saúde que atua como consultora e nos ajuda a deixar a série realista. Até mesmo para se certificar de que todo mundo está sempre usando luvas e máscara quando estiver operando. Um monte de séries preferem ver rostos do ator quando eles estão no meio de uma operação, mas isso não é real. Eles nos fazem parecer muito mais inteligente do que realmente somos. E, sem dúvida, a parte mais difícil é ter de aprender o diálogo médico, quase nunca faz sentido para mim. Mas é pra isso que serve o Google.

É verdade que havia histórias de fantasmas no hospital onde vocês gravaram a segunda temporada?

Sim, muitas. Gravamos em um antigo hospital, em Inglewood (Califórnia), onde, aparentemente, havia um necrotério no porão. E, supostamente, um dos corpos ainda estava lá. Mas várias pessoas da produção ficaram presas num elevador uma noite e ouviram um monte de coisas estranhas. E o hospital deveria estar vazio, mas eles juram que ouviram gente andando por lá. Então eu mesmo não ficava circulando por lá à noite. O lugar era mesmo um pouco assustador. Mas você sabe como essas histórias aumentam, né? Quem sabe se é verdade ou não?

Quando as pessoas te param nas ruas, eleas ainda lembram que você era o cara do Friends ou do filme Nunca Fui Beijada?

Sim. Mas, sabe, tenho muita sorte, porque não são muitas as pessoas que me reconhecem. Então, posso viver uma vida muito normal. Gosto da minha privacidade. O que acontece muito comigo é eu estar  andando na rua, alguém olha para mim e diz: "Você não é aquele cara do...ah, esquece". Escuto muito: "Você me lembra alguém"." "Conheço você de algum lugar." Eles não sabem realmente quem eu sou, mas quando me reconhecem, é principalmente por causa de Alias.

E que tipo de personagem gostaria de fazer, alguém que as pessoas não esqueceriam?

Na maioria das vezes interpretei o cara bom. E realmente gostaria de viver o cara mau. É muito mais divertido. Queria fazer um personagem cheio de conflitos, que seja alcoólatra ou drogado, ou alguém com uma deficiência, ou que esteja passando por um momento muito difícil em sua vida. Claro que eu não estaria ao telefone falando com você se não fosse pelos os personagens bonzinhos que intertpretei. Mas é muito mais divertido quando você pode explorar o lado obscuro da natureza humana. É isso que estou esperando para fazer na segunda parte da minha carreira.

 

 

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