Ela não liga para os 'chatos de plantão'

Glória Perez diz que a militância do real não afeta sua ficção: 'Tenho pena dessas pessoas'

O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2008 | 23h05

Glória Perez colocou os geneticistas em frente à TV e popularizou a discussão sobre células-troncos, clonagem... Claro que sofreu críticas, que não se limitavam à ciência. Muita gente chiava da "ponte aérea" Rio-Fez, já que o povo vivia no Marrocos. Você costuma dar ouvidos aos questionamentos sobre o que não é real em suas tramas? Claro que não. Quem assiste a uma obra de ficção procurando checar se o que está vendo é possível de acontecer, devia se perguntar o que está fazendo ali! Não escrevo pra essas pessoas!Não é controverso as pessoas esperarem que as novelas sejam um reflexo da vida real? Não. O que as pessoas querem de qualquer obra de ficção é se identificar com ela. Pode ser uma obra naturalista, realismo fantástico, ficção científica: o sonho, as fantasias, fazem parte da realidade de todo mundo. O sucesso das personagens de ficção que voam, como o super-homem, está no fato de que, embora impossível, é um sonho da humanidade.Você acha que esse policiamento vem só da imprensa e dos especialistas ou também do público?O único especialista em novelas é o público. E o público não usa esse critério. O público gosta ou não gosta, acha que a novela é boa ou é ruim, na medida em que consiga ou não consiga fazê-lo esquecer a realidade! É o inverso!Você acha que essa militância do real atrapalha a ficção?A minha, nem um pouquinho! Escrevo ficção, e quem espera que ficção seja retrato fiel da realidade, não sabe o que está falando! Você pode não gostar de uma obra de ficção por todos os motivos do mundo, menos por fugir à realidade. Por isso o gênero se chama ficção! Tem gente que não gosta de romances porque aquilo não aconteceu de verdade, só de biografias ou livros científicos. Respeito, mas tenho pena dessas pessoas: não sabem o que estão perdendo!E a reclamação sobre o episódio da personagem de Juliana Paes em O Clone, que engravidou por meio de inseminação com ajuda da personagem de Mara Manzan (a camisinha usada na zona sul foi resgatada, colocada em envelope, levada de ônibus até o subúrbio e conservada em geladeira)?Reclamação de quem? Dos noveleiros é que não foi. A história vivida pela Mara Manzan é real e me foi contada por um grande geneticista de Campinas! Pra você ver como, muitas vezes, os chatos de plantão tacham uma coisa de irreal só porque nunca viram! E.J.

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