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El Chapo processará Netflix por difamar sua imagem em série

Advogados alegam que série pode prejudicar processo judicial

Marcos Romero, Ansa

23 de junho de 2017 | 11h41

O "rei das drogas" mexicano Joaquín 'El Chapo' Guzmán, que foi extraditado para os Estados Unidos em janeiro deste ano, está irritado com a imagem de "criminoso cruel" apresentada por uma nova série produzida sobre sua vida e transmitida pelo Netflix e pela emissora de TV "Univisión".

Através de seus advogados, o poderoso chefão criminoso avisou que irá processar a gigante do streaming e a cadeia televisiva nos tribunais norte-americanos.

"Netflix e Univisión estão explorando seu nome e sua imagem com fins lucrativos e não com fins informativos", disse o líder dos advogados de Guzmán no México, José Refugio Rodríguez. Ele ainda acrescentou que é "inegável que isso afete, inclusive, seu processo penal nos Estados Unidos".

"Por essa razão, necessariamente, vamos abrir uma ação a qual estamos habilitados legalmente a fazer por ele em virtude de uma procuração", destacou o advogado para a emissora local "Radio Formula".

"É inegável que isso incomoda porque estão passando coisas que não correspondem à realidade e com respeito ao fato de que não há uma sentença condenatória sobre elas. Isso constitui uma grave violação da presunção de inocência", disse Rodríguez.

A série "El Chapo" foi lançada em 23 de abril e está sendo um grande sucesso de audiência nos dois países. Rodríguez, todavia, não antecipou quando será impetrada a ação contra a Netflix e a "Univisión" e incluiu que não tem uma comunicação direta com Guzmán, que está virtualmente isolado em uma cela de prisão em Nova York.

Não obstante, disse que espera a "luz verde" para iniciar a ação legal porque o conteúdo da série reflete coisas "que não são certas" e perfilam a imagem de Guzmán como "um criminoso cruel", o que poderia constituir um "ato de discriminação".

O advogado adiantou ainda que o mais provável é que a causa seja aberta nos EUA porque esse é o país onde as duas empresas tem seus domicílios fiscais.

A ameaça de ir à Justiça ocorre pouco mais de 48 horas depois que uma deputada do estado de Sinaloa, ao qual Guzmán é ligado sentimentalmente, foi presa em San Diego, na Califórnia, por crime de "conspiração".

Lucero Guadalupe Sánchez, acusada de visitar o chefão do Cartel de Sinaloa, o mais poderoso do México, quando ele estava na prisão de Altiplano, foi presa quando tentava buscar asilo político com documentos falsos, informou sua advogada.

El Chapo tornou-se uma lenda por conta de sua audácia ao escapar por várias vezes de bunkers carcerários no México. A primeira vez, escapou da prisão de Puente Grande, no estado de Jalisco, em janeiro de 2001, e a segunda foi do presídio de Altiplano, em julho de 2015, através de um túnel de 15 metros de profundidade e de 1.500 metros de extensão.

Além disso, projeta também uma imagem combinada de "delinquente bom", um "Don Juan" - que se casou três vezes e teve casos com muitas mulheres com as quais teve diversos filhos - e um "empresário de sucesso" que edificou sozinho um império criminoso com presença em 52 países.

O próprio ativista e ator de Hollywood, Sean Penn, que o visitou em outubro de 2015 enquanto ele se escondia nas montanhas de Sinaloa, publicou para a revista "The Rolling Stone" uma fala de Guzmán.

"Providenciei serviços indispensáveis nas montanhas de Sinaloa, financiando tudo, desde comida até a construção de estradas e ajuda médica para as comunidades", disse o traficante.

Sem embargo, o governo mexicano fez o possível e o impossível para desmitificá-lo e borrar o imaginário popular sobre essas crenças, apresentando-o como um "criminoso cruel" ao qual se atribuem entre dois e três mil assassinatos. (ANSA)

 

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