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Eis um novo tipo de público

Com TV paga, telespectadores brasileiros se renderam às séries americanas

Etienne Jacintho,

07 de agosto de 2011 | 00h01

Apesar de a Globo ter começado a exibir séries americanas com maior intensidade nos anos 1980, com Chips, Ilha da Fantasia, Profissão: Perigo, Casal 20, entre outras, foi nos anos 1990, que o público brasileiro passou a se familiarizar com o formato. Na própria Globo, Barrados no Baile foi um sucesso, assim como Twin Peaks e Arquivo X fizeram história na Record. Essas exibições coincidiram com a chegada da TV paga ao País, fato que fez com que o público passasse a acompanhar as séries da forma com que elas são exibidas nos EUA: semanalmente e na sequência.

 

Por mais óbvio que possa parecer, isso nem sempre foi respeitado na TV aberta. A Globo mostrou Twin Peaks com cenas cortadas e capítulos fora da ordem e o público brasileiro só conseguiu ver quem matou Laura Palmer pela Record. Hoje, quase 20 anos mais tarde, as redes têm boas séries em suas grades de programação e um público exigente que já se acostumou a um formato diferente das novelas.

 

No Brasil. Já na TV paga, os canais de séries foram ganhando espaço e hoje disputam público com a internet, afinal, os fãs não querem mais esperar muito tempo para ver aqui uma série que faz sucesso nos EUA. E essa pressa surgiu por causa de uma atração: Lost. Com a série de J.J. Abrams, o público entendido de séries aumentou e abriu um mercado para este tipo de atração aqui no Brasil. As produtoras independentes receberam o recado e, instigadas por novas leis de incentivo, passaram a produzir séries até mesmo para a TV aberta.

 

Foi na TV paga, porém, que o gênero ganhou padrão de qualidade internacional. A HBO já coproduziu quatro séries: Mandrake, com a Conspiração Filmes, Filhos do Carnaval, com a O2 Filmes, Alice, com a Gullane Filmes e Mulher de Fases, com a Casa de Cinema. Além de serem produções muito diferentes do padrão Globo, as séries da HBO apostam em atores desconhecidos do grande público ou mesmo esquecidos - caso de Felipe Camargo, Enrique Diaz e Andréia Horta.

 

Status de cinema. Atualmente, as séries já fazem parte do cotidiano do brasileiro, tenha ele TV paga ou não. E o gênero só cresce e se reinventa. Hoje, há até série musical como Glee e outras protagonizadas por atores consagrados do cinema como Glenn Close, em Damages, e Jeremy Irons, em Os Bórgias.

 

O cineasta Fernando Meirelles acredita que isso seja reflexo da qualidade da TV hoje nos Estados Unidos. "Em outras partes do mundo vemos cada vez mais projetos muito sofisticados para TV", diz. "Arrisco dizer que fora do Brasil a TV hoje talvez esteja mais interessante do que o cinema, mais ousada e mais instigante. Isso é uma tendência para frente também."

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