Eis um museu de novidades

Colecionadores colocam na internet vídeos, fotos e dados que preservam a memória da TV nacional

Gustavo Miller, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2008 | 00h02

O estudante Daniel Marano, de 17 anos, e o dentista José Marques Neto, de 44, conheceram-se pessoalmente pela primeira vez no dia em que fizeram essa foto abaixo. Apesar de ambos morarem no Rio, essa dupla só se falava pela internet - e há um bom tempo: desde que Marano, aos 10 anos, era o pirralho que tentava acabar com o reinado de Neto em um questionário virtual sobre a história da TV brasileira.Hoje Neto é conhecido na web como o homem do Mofo TV, que espalhou pela rede quase 900 vídeos com preciosidades da história da televisão nacional. Marano virou seu fã e criou um canal no YouTube, o Canal Memória, que segue a mesma batuta.Esses cariocas são exemplos de pessoas aficionadas por televisão, que em suas infâncias e adolescência passavam os dias com os olhos colados na TV. De tão apaixonados, gravavam seus programas favoritos no videocassete, anotavam em um caderninho o resumo da novela, dados técnicos de uma série, curiosidades de um desenho animado e por aí vai.Com o passar dos anos, a "tralha" foi juntando e ficando maior. Graças à internet, esses teleguiados viram a possibilidade de compartilhar seus acervos. Ou, como gostam de dizer, ajudar na conservação da memória da TV brasileira. "Há 20 anos eu nem imaginava que um dia poderia dividir o meu material. Achava ser o único maluco da face da Terra a fazer isso", ri Neto, que tem mais de mil fitas VHS.Utilizar a internet para contar a história da TV brasileira não é novidade. Desde o começo do século, pipocaram sites assim - como o Teledramaturgia, de Nilson Xavier, um noveleiro assumido desde os 10 anos (ele tem 39). Mas então era só texto. Nos últimos anos, com um tal de YouTube, as empoeiradas fitas VHS começaram a sair do armário e a cair na rede. Algo bem trabalhoso de fazer, diga-se."Tenho de digitalizar o material da fita para o computador, editá-la e depois subi-la no YouTube. Ainda pesquiso para ver se não estou pondo algo repetido", diz Marano.A importância do trabalho desses colecionadores é enorme, pois democratiza um conteúdo que ficaria no passado e pronto. As emissoras não deixam o grande público acessar esse material e parecem não desejar compartilhá-lo. "Não há interesse em divulgar informações sobre autores que já faleceram ou atores que possivelmente estão em outras emissoras. O Vídeo Show, que inicialmente divulgava a memória da TV, acabou se tornando uma vitrine de sua programação atual", alfineta Guilherme Staush, do canal Memória da TV. "A Globo descartou todos os capítulos da novela O Amor é Nosso (1981). No YouTube tem a abertura dela", concorda o universitário Danilo Rodrigues, de 20 anos.Outro problema é o descaso. Não se tem nenhum nenhum registro em vídeo dos primeiros anos da TV Tupi, nascida em 1950. Tudo era feito ao vivo, sem gravar. Alguns anos depois surgiu o videotape, mas nem isso ajudou - a fim de economizar, fitas eram reutilizadas.Recentemente a TV Globo lançou o portal Memória Globo (www.memoriaglobo.com.br), criado para contar a sua história. Em uma das mais famosas polêmicas do canal, os dois debates Lula x Collor de 1989, a Globo só tinha a versão editada do debate que foi exibida no Jornal Nacional, mas não a do Jornal Hoje. A solução? Um colecionador deu esse filmete, que hoje pode ser visto no site.

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