Renato Rocha Miranda/TV Globo
Renato Rocha Miranda/TV Globo

E quem quiser que conte outra

A diretora Amora Mautner fala de 'Cordel Encantado'

Patrícia Villalba/RIO - O Estado de S.Paulo,

22 de setembro de 2011 | 22h05

O burburinho no corredor do estúdio de uma novela de sucesso é reconhecível de longe. Por isso não foi preciso estar lá, mas apenas conversar um pouco com a diretora-geral de Cordel Encantado, Amora Mautner, para sentir aquele vento de “ufa, valeu a pena”.

A novela das 6 da Globo termina hoje com Ibope em alta e aplauso geral, e até quem não gosta de novela ouviu algum elogio a respeito. "Pela primeira vez eu termino uma novela querendo que não acabasse", anota Amora. "Vai ter um grande incêndio, nascimento, casamento, tudo o que a gente tem direito!", adianta.

Como o fim tem hora marcada, a jovem diretora, de 35 anos, termina o trabalho muito bem cotada na emissora - prova é que ela vai dirigir Rainha do Mar, de João Emanuel Carneiro, a próxima novela das 9. E prepara ainda uma minissérie com contos das Mil e Uma Noites, escrita pelas mesmas Duca Rachid e Thelma Guedes, as autoras de Cordel. "O sucesso da novela tem a ver principalmente com o texto delas, que é bem amparado na tradição do folhetim, uma história boa de acompanhar", observa. "Tanto é que tem novela malfeita que faz sucesso por ter uma história boa.".

Amora não esconde que o começo foi cercado de muita apreensão - "É o tipo de coisa que ou dá muito certo ou muito errado", e teve sorte de juntar a equipe capaz de criar um universo novo e crível, a cidade de Brogodó, no sertão brasileiro, e o Reino de Seráfia, na Europa. Não é a primeira vez que a Globo faz isso: uma que deu muito certo foi Que Rei Sou Eu?, de 1989; outra, que deu muito errado foi Bang-Bang, de 2005.

Recheada de referências a contos de fada, fatos históricos e literatura, a novela conta a história de uma princesa europeia, Aurora (Bianca Bin), que é criada como sertaneja no Brasil. A mistura - em toada de cordel e bastante romântica - agradou ao público das 6, considerado o mais tradicional do horário nobre. A novela manteve média de 30 pontos no Ibope, com 55% de participação nos televisores ligados. "A história pedia alegoria, uma forma mais artesanal, apesar de novela ter uma produção industrial. Acho que conseguimos fazer", comemora.

Muito se falou que o elenco de Cordel Encantado tem grandes estrelas, mas não é só isso - os atores estão nos papéis certos. Amora e o diretor de núcleo Ricardo Waddington, não faz mal contar, empenharam-se pessoalmente na escalação dos atores. “A minha grande preocupação era essa. Eles precisavam atuar com verdade, mas com um tom a mais. Foram dois meses de preparação para encontrar a medida”, conta ela.

A diretora teve de - não que seja sacrifício - levar boa parte do elenco para jantar. Só Cauã Reymond demorou seis jantares para aceitar o Jesuíno - ele se recuperava de uma cirurgia no quadril. Foi também em alguma mesa carioca que Luiz Fernando Guimarães aceitou enfim ser o mordomo Nicolau, na sua primeira novela desde 1986. Mas foi a Úrsula de Deborah Bloch que saiu mais caro para a diretora. “Ela não queria fazer de jeito nenhum. Conversa vai, conversa vem, ela elogiou meu sapato, um Louboutin. E eu aproveitei a deixa: ‘Faça a novela, que o sapato é seu!’. Mas é claro que ela não aceitou só por isso...”, diverte-se.

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