E o homem de gelo derrete

Coração de Ferraço bate em Duas Caras e ator até arrisca sorrir

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2008 | 22h30

Se o mal vem com mais de 1,90m de altura e calça risca-de-giz, então, só pode ser para bem. E numa reviravolta que só um novelão de Aguinaldo Silva pode proporcionar, eis que o coração de Marconi Ferraço começou a bater. A audiência parece ter adorado e, segundo uma enquete no site de Duas Caras (TV Globo), o vilão desprovido de sentimentos, interpretado por Dalton Vigh, tem de ficar com a mocinha Maria Paula (Marjorie Estiano) no final.A torcida do público surpreendeu até mesmo Dalton, que curte a fase de derretimento do personagem - que, agora, já sorri. Duas Caras tem duas mulheres - Maria Paula e Sílvia - histéricas por causa do Ferraço. Afinal, o que é que o Ferraço tem?Ih, não sei... (risos) Tem que perguntar pra elas... A Maria Paula se apaixonou de verdade por ele, num momento delicado da vida. Essa paixão virou obsessão depois do golpe que ele deu nela. No caso da Sílvia, teve uma coisa de paixão selvagem, mas acho que ela já tinha uma patologia. São duas obsessivas, então.Sim, obsessões diferentes. Mas o que ele fazia com elas a novela não mostrou, porque o horário não permite.Não sei não. Outro dia, quando a Sílvia apareceu com uma marca no pescoço, ele disse que seria incapaz de fazer isso com uma mulher.Acho que ele quis dizer que ele faria de um jeito que não deixaria marcas.O Ferraço não tem apelo humorístico. E os vilões fazem sucesso, em geral, por terem uma certa graça. Tem um palpite para o porquê de o personagem ter sido acolhido pelo público?O mau humor dele acaba sendo engraçado em alguns momentos, principalmente por causa do jeito com que trata os empregados. Mas eu mesmo fiquei surpreso com esse casamento dele com a Maria Paula. Não tenho muito contato com o Aguinaldo, então fico sabendo das coisas quando recebo os capítulos ou pela imprensa. Fiquei meio chocado quando vi na capa das revistas.Acha que um final feliz é possível para os dois?Sim. Todo mundo tem direito a uma segunda chance, e acho que foi isso também que fez o público torcer por ele. No começo, o par foi criticado, diziam que não havia química. Ficou aflito com isso?Não. Quando o ator está fazendo alguma coisa que não é boa para o personagem, o diretor e o autor ficam em cima, mas não foi o caso. Quanto à química, o que acontecia é que ela era uma menina inexperiente e ele, um trapaceiro. Ele não estava sendo verdadeiro. Acho que não perceberam.Agora, ele mostra expressões mais doces. Antes, era mais duro, por isso o apelidamos de homem de gelo na redação.É mesmo? (risos) Era pra ser assim. Ele era vigarista, estava sempre jogando. Você nunca sabe o que está passando pela cabeça dele. Por isso, a aparição do filho mexeu tanto com ele.

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