É o guia turístico na fita

Isca infalível para acelerar o turismo, as novelas são 'mimadas' por governos e instituições

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2009 | 00h33

Ter seu país, Estado ou cidade como cenário de novela é o sonho de qualquer embaixada ou secretaria de Turismo. Vitrine certa para milhões de espectadores, a exposição que dura meses sai mais em conta do que uma campanha publicitária, alavanca o turismo e gera inúmeras oportunidades de negócio para a região.

Prova de que os costumes exóticos e o visual colorido da Índia do Projac têm atraído mais do que telespectadores para Caminho das Índias é o fato de que, neste ano, o país do sári está recebendo hordas de brasileiros.

De acordo com o consulado da Índia em Minas Gerais, apoio da Globo na produção do folhetim, de janeiro, quando a trama estreou, até agora, o número de vistos indianos expedidos para o Brasil aumentou 30%. Desses, 60% se referem a turismo e 40%, a negócio.

"Agora, a Índia está em período de chuvas. Mas em setembro, quando começa a alta temporada, esperamos um crescimento de 100% no turismo de brasileiros em relação ao ano passado", estima o cônsul da Índia Elson Barros Gomes Jr., cuja família, de sobrenome Ananda, foi homenageada por Glória Perez.

A valorização do espaço na telinha é tanta, que basta um autor revelar que está em busca de locações, para começar uma verdadeira corrida bairrista. Foi assim, recentemente, com os autores Benedito Ruy Barbosa e sua filha Edmara Barbosa.

Assim que a imprensa noticiou que eles fariam o remake da novela Paraíso, representantes do sul de Minas, do interior de São Paulo e do Mato Grosso os procuraram para oferecer suas regiões . Benedito confirma a disputa. "Sempre nos procuram, né? Porque a novela promove o ecoturismo", diz. No campeonato para a gravação de Paraíso, o Mato Grosso levou a melhor.

GOVERNO ATUANTE

A Assessoria de Imprensa da Globo garante que não existe patrocínio, mas sim, apoio logístico, por parte dos governos e consulados. Em Paraíso, o Estado do Mato Grosso e a prefeitura de Poconé promoveram até um rodeio fora do calendário oficial, para servir à trama. Passagens, hospedagens, alimentação e uma equipe local de infraestrutura também fazem parte do pacote oferecido à novela.

Em contrapartida, segundo a secretária adjunta de Turismo do Estado, Vanice Marques, a Globo propôs citar na trama cidades e símbolos mato-grossenses, como os cavalos pantaneiros. E os resultados da parceria já aparecem no fluxo de turistas.

Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) de Mato Grosso, Luiz Zerdum diz que o turismo no Pantanal mato-grossense, mostrado em Paraíso, está 15% maior em relação a 2008. "Mas nada se compara ao crescimento que tivemos com a reprise de Pantanal (pelo SBT)", diz. "Ano passado, o aumento foi de 30%." No caso, a crise econômica também tem seus louros, pois incentivou que o brasileiro ficasse no País.

Gravada em 1990 no Mato Grosso do Sul, Pantanal também rendeu frutos ao seu Estado de origem: 20% no turismo regional, segundo dados da ABIH do sul-mato-grossense.

Benedito Ruy Barbosa, autor da saga de tuiuiús e banhos de rio, conta que o Mato Grosso do Sul facilitou a produção. "Tínhamos à disposição 15 aviões na pista. E quando precisávamos de 3 mil cabeças de gado para o dia seguinte, lá estavam elas, com peões à espera para gravar cenas de travessia do Rio Negro", lembra.

Outro folhetim que fez bombar o turismo local foi Tropicaliente (1994, Globo), gravado no Ceará, que fez sucesso em países frios e na América Latina. Na Rússia, como Tropikanka, foi ao ar em 1995, alcançou 25% de ibope, conquistou reprise e virou destino turístico das empresas de viagem. O autor Walther Negrão explica que a produção tinha apoio do sindicato dos hotéis do Ceará. "Durante uma semana, todo mês, tínhamos hospedagem."

PRÓXIMA PARADA

Assim que a trama indiana da Globo acabar, em setembro, a bola da vez passa a ser Israel, Jordânia e França, cenários da próxima novela das 9 da emissora, Viver a Vida. Nas gravações, a equipe do diretor Jayme Monjardim já conta com o apoio dos consulados: todos os pontos turísticos estão autorizados a virar locações.

A França entrou por acaso no roteiro da história de Manoel Carlos. Por este ser o Ano da França no Brasil, o governo francês se acertou com diretor e autor para que o país virasse pano de fundo de uma das tramas.

Com Taís Araújo e Alinne Moraes passeando pela Torre Eiffel , além de Rodrigo Hilbert e Thiago Lacerda pagando de aventureiros no Oriente Médio, não é difícil adivinhar quais os próximos roteiros turísticos a inspirar as férias do telespectador.

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