E não é que Los Angeles também tem mundo cão?

Sem realidade paralela: nova série do Space retrata submundo com clima de reality show

Alline Dauroiz, de O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2010 | 16h00

McKenzie: ‘O que há em um episódio é o que a maioria dos policiais verá durante toda a carreira’

 

 

LOS ANGELES - Southland começa com o dado de que Los Angeles tem "apenas" 9.800 policiais para dar conta de 4 milhões de habitantes. Certamente os produtores da série não têm ideia do que é ser um policial em São Paulo ou no Rio. De todo o jeito, não há como negar que, como qualquer grande centro urbano, Los Angeles também sofre com o crime: bairros divididos por gangues, tráfico de drogas, pedófilos e meliantes de todo gênero - tudo isso, aliás, retratado com realismo pela série, que estreia nesta quinta-feira, às 21h no Space.

 

Com externas à vontade, Southland acompanha o dia a dia dos tiras da cidade, com muitas cenas de patrulhamento que, de repente, transformam-se em boas perseguições. Quase não há trilha sonora, o que aumenta a sensação de "realidade".

 

Lançada em abril do ano passado nos EUA pela NBC, a série foi cancelada em novembro. O sucesso de crítica, porém, salvou a produção, que foi resgatada pela Turner. Em entrevista da qual o Estado participou, Ben McKenzie, ex-The O.C, fala de Ben Sherman, o agente novato que passa, no primeiro episódio, por um dia de treinamento antes de virar policial.

 

A série foi muito bem recebida pela crítica. Por que foi cancelada pela NBC?

O tom é mais dark do que a maioria das séries. Acho que a NBC percebeu isso e disse: "Nós não podemos pôr isso no ar antes das 21 h."

 

Foi coincidência o Ben ter uma jornada exatamente oposta a de Ryan, de The O.C. (Ryan era pobre e virou rico, e Ben é um rico que transita pelo submundo)?

É irônico. Não sei se foi coincidência. Só sei que senti como se soubesse quem era esse cara e que eu poderia ser uma versão dele, porque vim de uma família bem de vida. Meu pai também é advogado. Mas escolhi fazer o papel pela qualidade do projeto. Pensei: "Jesus, seria muito insensato não ir."

 

O que te atraiu?

Li o roteiro e me impressionei pela escrita tão detalhada. Os roteiristas costumam descrever um ou dois personagens. Mas todos os personagens eram únicos e tinham histórias específicas. E os relacionamentos acontecem em pares: o policial novato com o veterano; dois detetives de gangues; (os atores) Regina (King) e Michael (Cudlitz); a Arija (Bareikins) e o Tom (Everett Scott). Contou também o "pedigree" do (produtor executivo) John Wells.

 

Como estudou o trabalho dos policiais de Los Angeles?

Fizemos rondas de carona com os tiras. E temos dois técnicos conselheiros ex-L.A.P.D (Departamento de Polícia de Los Angeles). Também temos policiais em serviço e aposentados, que nos ajudam a toda a horas.

 

A série entra no submundo, não?

É. O diferencial é a maneira que a gente grava, em locações específicas. O único cenário que temos é o departamento de polícia, que usamos só umas três, quatro vezes. E as histórias são criadas a partir do que os agentes contaram aos autores. Claro que tudo o que há em apenas um episódio é o que a que a maioria desses agentes vê em toda a sua carreira, mas isso é só para fazer um bom show de televisão.

 

Dramas policiais sempre foram populares. Por quê?

As pessoas reclamam de séries policiais, médicas e de advogados, mas fazem um monte desses programas porque são três universos que lidam com vida e morte.

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