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‘É hora de deixar Pablo Escobar partir’, diz Wagner Moura sobre protagonista de 'Narcos'

Ator brasileiro está pronto para a vida após a saída da série cuja segunda temporada começa nesta sexta, dia 2

Jeremy Egner, THE NEW YORK TIMES

02 de setembro de 2016 | 04h00

A segunda temporada de Narcos só começa nesta sexta, 2, mas Wagner Moura, que protagoniza o rei das drogas Pablo Escobar, já pensa na vida após a aclamada série da Netflix. “Estou muito orgulhoso da série. Fiz o que pude para retratar o personagem da melhor maneira possível”, disse. “Agora, é olhar para a frente.”

É notável que o ator se sinta à vontade em declarar isso, uma vez que, quem acompanha a série sabe, a história não acaba bem para seu personagem. E Moura e seus produtores já garantiram que o seriado termina nesta temporada, com ou sem a polícia de spoilers. 

“Não estamos vazando spoiler: sabíamos que ele iria morrer”, afirmou Moura. “Narcos não é uma série sobre Pablo Escobar. É sobre o nascimento do tráfico de drogas.”

A segunda temporada começa onde terminou a primeira e cobrirá os cerca de 16 meses entre a fuga de Escobar da prisão e sua morte, em 1993, aos 44 anos. 

Em entrevista por telefone, Wagner Moura, que aprendeu espanhol e engordou 18 kg para fazer Pablo Escobar, explicou por que estava aliviado com o fim do personagem. 

Além do fim de Escobar, do que trata a segunda temporada?

A primeira temporada foi épica. A segunda se concentra no drama dos personagens. O Escobar poderoso da primeira, aquele que conhecemos de livros e documentários, não é o mesmo que se verá agora. Ele perderá dinheiro, poder, aliados. Está para perder até a família, que para ele é muito importante. Ao mesmo tempo, os agentes da DEA (Drugs Enforcement Agency, o departamento antidrogas dos EUA) Murphy e Peña vivem conflito moral. Para pegar Pablo, começam a ficar parecidos com ele. Todos os personagens enfrentam conflitos morais e emocionais de um modo não visto na primeira temporada. 

A linha que separa mocinhos de bandidos parece ficar mais imprecisa.

Escobar, claro, era um bandido. Mas Narcos não é sobre tiras americanos do bem que vão para a América do Sul salvar os pobres de um bandido. Quisemos nos manter fiéis à história da Colômbia e os caras da DEA não são exatamente heróis nesta saga. Os heróis são o povo colombiano, que decidiu lutar contra o terrível narcoterrorismo que se instalou em seu país nos anos 1980.

Por que todos estão aceitando tão bem sua morte nesta temporada? 

Não vejo por que não. Parece errado estender a vida desse cara além de duas temporadas. 

Do que você vai mais sentir falta em ter representado Escobar?

Foi uma parte muito importante de minha vida. Me dediquei muito ao personagem. Mas quando encerramos a segunda temporada, me senti aliviado. 

Por quê?

Era hora de deixar o personagem partir, voltar a meu peso normal. O corpo não era o meu. Vivi nele por dois anos – e não falo só do corpo físico, mas da energia com a qual estava lidando. Não era nada agradável. 

A National Geographic acaba de lançar um novo filme sobre o personagem. Por que ele continua tão empolgante? 

Sempre fomos fascinados por pessoas que vivem acima da lei. Junte-se o fato de que Escobar foi real e alguém muito diferente. Se fosse um traficante comum, poderia estar vivo e no ramo até hoje. Mas Pablo não se contentava apenas em ser o sétimo homem mais rico do mundo, segundo a revista Forbes. Ele queria destruir a elite que tanto desprezava, e também ser presidente da Colômbia. Era mau, um ser humano horrível. Matou muita gente e fez coisas terríveis. Mas é inegável que era diferente. 

TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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