Andrew Kelly/Reuters
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‘É difícil competir com os absurdos do mundo real’, diz Claire Danes

Protagonista de ‘Homeland’, que estreia a sua 7ª temporada neste domingo, 11, na Showtime, atriz diz que série tem paralelos com a política dos EUA

Kathryn Shattuck , The New York Times

11 de fevereiro de 2018 | 06h00

São quase 11 da manhã e Claire Danes está se registrando num Holiday Inn Express nos arredores de Richmond, Virgínia, depois de um longo dia no set de Homeland, da Showtime.

Carrie Mathison, a personagem de Danes na série, está esgotada também. Com o começo da sétima temporada neste domingo, 11, a ex-oficial da CIA tornou-se conselheira presidencial, agora sem um cargo, mudou-se com a filha para a casa da irmã em Washington.

O seu confidente Peter Quinn (Rupert Friend) está morto e a nação à beira da guerra civil, depois de uma tentativa de assassinato da presidente eleita, Keane (Elizabeth Marvel). O que levou à prisão 200 membros da comunidade de inteligência, incluindo o mentor de Carrie, Saul Berenson (Mandy Patinkin). “Nesta temporada, ela não é mais a melhor amiga do presidente, mas está determinada a combater o regime fascista. O inimigo não é quem ela imagina.” 

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Instalando-se em seu quarto de hotel, Danes, de 38 anos, que mora no centro de Manhattan com seu marido, Hugh Dancy, da série The Path na Hulu, e seu filho de 5 anos, Cyrus, falou sobre espionagem e a estranha colisão entre arte e vida real. Aqui estão trechos da conversa.

Você se lembra de quando Homeland parecia ser tão extrema?

É difícil para o nosso programa competir com o absurdo que acontece na presidência. É como uma TV escapista agora. Costumava ser uma visão angustiante e distópica da verdade, e agora é relaxante.

Onde está Carrie após um final de temporada tão tumultuado?

Ela ficou horrorizada. Estava de luto na temporada 6; era uma espécie de história fantasmagórica com Quinn, um homem morto caminhando. O presidente no qual ela acreditava a trai e revela-se um líder falível e potencialmente perigoso. Então ela está mais uma vez do lado de fora, olhando com preocupação.

E seu transtorno bipolar?

Aprendemos bem cedo que o lítio, a sua droga milagrosa, não é mais eficaz. Então ela vai precisar salvar o mundo novamente e não terá tempo para testar outros medicamentos. E ela é forçada a usar drogas das ruas e se automedicar.

As histórias da série muitas vezes têm paralelos com a política da vida real. Como os roteiristas chegaram a isso?

Todos os anos passamos uma semana em D.C. no “campo de espionagem”. Nós nos reunimos da manhã até a noite, conversamos com personagens do mundo clandestino que têm uma real compreensão sobre o que está acontecendo. E eles apontam o que é relevante no período de um ano. É incrivelmente valioso. Temos uma maravilhosa bola de cristal.

A morte de Quinn levou alguns fãs a criticar o tratamento dado aos veteranos.

Ele queria passar o tempo com um veterano que estava ferido psicológica, emocional e fisicamente e levava a sério o sacrifício e o custo de assumir esse compromisso com o seu país. Esse foi um esforço sincero para honrar o trabalho que os veteranos fizeram.

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Você estava do lado dos fãs que queriam um romance entre Carrie e Quinn?

Claro. Mas acho que eles realmente tiveram um romance, mas não assumido de forma convencional. Há pessoas que podem não ser capazes de ter uma intimidade real.

E o seu filme, 'A Kid Like Jake', que estreou em Sundance?

Jim Parsons e eu interpretamos os pais de um menino de 4 anos obcecado por todas as coisas de princesa. Trata-se de reconhecer seu filho e encontrar a melhor maneira de encaminhá-lo para o mundo.

'Homeland' vai terminar após a oitava temporada. Como você gostaria de ver a Carrie se sair?

Gostaria apenas de um pequeno alívio para minha garota, ela merece. Mas ainda não estamos lá.

TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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