'É bom fingir que sou outra'

Prestes a completar 60 anos, Marília Gabriela diz que se reinventa para não morrer de tédio

Renata Gallo, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2007 | 23h45

Ela é uma das jornalistas mais conceituadas do País, entrevistou personalidades de grande quilate, comandou o TV Mulher, programa revolucionário na TV brasileira, mas queria ser outra. Sim, essa mesma que foi casada por oito anos com Reynaldo Gianecchini. Não precisa recomendar, Marília Gabriela já fez análise, recebeu alta e, mesmo assim, não parou de se lamuriar: "Ai, acho a minha vida tão tediosa!", diz, relembrando as conversas que tinha com seu psicanalista. Talvez por isso tenha se lançado aos palcos e, agora, encara uma novela do começo ao fim, como Guigui, de Duas Caras. A cabeça dessas mulheres...Precisava do desafio de encarar uma novela inteira a essa altura da sua vida?Precisava. É do meu temperamento buscar desafios. Quando fazia TV Mulher e fazia aquele sucesso, pensava: 'Meu Deus, nunca mais vão me deixar sair daqui'Com tamanha inquietação, como encara o GNT há 10 anos?O GNT é minha régua e compasso, porque sentar e ouvir bem os outros, para mim, tem sido a maior fonte de aprendizado. Ouço tudo e arquivo o que me é necessário. E ouvir os outros é fundamental no quesito interpretar.Aprende com seus entrevistados, mas o que leva para a sua vida dos seus papéis?Preciso pensar... (pausa) Acho que ali exerço da forma mais definitiva a fantasia, que é uma coisa que sempre foi importantíssima na minha vida, a fantasia e a possibilidade de ser outras pessoas. Sou uma geminiana inquieta que sempre está pensando: 'Ah, eu podia tanto ter sido outra pessoa.' Então, a essa altura do meu campeonato, poder fingir que sou outra é muito bom.Você assiste à novela?Tenho dificuldade de me ver fisicamente, mas acho que a cada dia está ficando mais fácil, vai ver que estou ficando mais cara-de-pau (risos). Sou muito autocrítica, então vejo e penso: 'Meu Deus, que perfil pavoroso!' Às vezes acho que podia ter andado com o passo mais fechado... Tolices, mas que resultam em um desconforto. Porque o básico é: estou boa atriz? E eu honestamente acho que estou me defendendo legal.Já se acostumou a ser notícia?Depende. Sou uma pessoa tão aberta, acho que todo mundo é tão parecido que, o que me choca, é quando as pessoas querem mais, para tirar sangue, para ir atrás da pior fofoca. Nessas horas posso ser muito malcriada, dar dedo, essas coisas. Em uma entrevista de 2001, você dizia que Gerald Thomas havia dito que você é "mimada, sábia e tola, racional e louca, generosa e egoísta". O que há de verdade nisso?(risos ) Tudo! Ele descreveu a si mesmo, a mim e a muitas outras pessoas... expansivas.Expansiva poderia ser traduzida como difícil?(risos) Difícil pra c.! Mas depende da hora! Sabe o que é, sou uma pessoa de verdade e exijo que as pessoas sejam de verdade. E isso pode me tornar uma pessoa muito difícil porque tenho um radar para mentira que é uma coisa alucinante. Sou muito atenta e posso ser muito desagradável - para mim mesma até. De vez em quando tenho que dizer isso..: 'Eu não sou confortável, mas sou gratificante no final.' (risos) Gostou?

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