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Dupla de ‘Tá no Ar’ cria o novo ‘Zorra’ na TV

Maurício Farias e Marcius Melhem atualizam humor das noites de sábado e celebram 50 anos da Globo na próxima 5ª

CRISTINA PADIGLIONE , O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2015 | 20h21

Saiu do trio que assina a criação de Tá no Ar: A TV na TV, humorístico que revolucionou o riso na Globo, a dupla convocada pela direção da emissora para atualizar a piada nas noites de sábado. Maurício Farias, o diretor, e Marcius Melhem, roteirista e ator, anunciam um programa que não tem a pretensão de jogar fora tudo o que foi feito até aqui – ao contrário, aproveita boa parte daquele programa de esquetes nascido nos tempos do rádio e reciclado ao longo de quase 65 anos de TV, inclusive resgatando elementos perdidos ao longo dos últimos 16 anos, tempo de vida do Zorra Total. A partir de 9 de maio, entra no ar um humorístico com cenas externas, esquetes mais curtas, menos alegoria e mais realismo.

“Ele não rompe com o Zorra antigo: o que a gente procurou fazer foi uma renovação do humor popular, trazendo elementos que ficaram pelo caminho”, anuncia Melhem. “Ele fala mais do cotidiano e da vida das pessoas, traz comportamento e política, é mais realista”, completa. Se antes um cromaqui simulava um ponto de ônibus, agora, cena de ponto de ônibus passa a ser feita num ponto de ônibus de verdade. 

E se hoje o Zorra tem oito esquetes em 40 minutos, passará a ter mais de 20 quadros. Não é nada, perto da linguagem ultra-clipada do Tá no Ar, em que cabem mais de 30 cenas em 25 minutos, mas é um bom avanço em relação ao formato atual.

A dupla, conta Farias, procurou programas parecidos com o Zorra mundo afora e não encontrou nada parecido. “A sensação que me dá é que esse humor não existe mais”, disse Farias em entrevista ao Estado. “Se você me perguntar se eu ainda acho graça do que eu vejo ali, sim, eu vejo. Também rio dos bordões, tem muito valor artístico, grandes atores, roteiristas, mas tem coisas que eu já não acho tão engraçadas e tem a ver com a visão de mundo de quando eu nasci”, atesta o diretor. “Havia uma dúvida de como se faz um programa de esquetes que converse com o público hoje e que a gente conhece há 50 anos na Globo”, completa.

Para a dupla, o novo Zorra, que já não usa o complemento “Total” no nome, está “mais ágil, mais colorido, com alguns elementos esquecidos dessa praia, como o nonsense, o humor visual e o humor político. “Não acredito mais no humor que não fale do que está acontecendo no País”, fala Melhem.

“O princípio básico de expor um pouco do Brasil, das pessoas, permanece, mas ele não é mais guiado pelos personagens, e sim pelas situações”, completa o humorista. “Personagens antigos podem até voltar, mas voltam em novas situações. Não quero perseguir bordões, eles têm que dialogar com o que está acontecendo no País”, afirma ainda.

Diante dessa receita, cabe a pergunta: como se desliga a chavinha para a piada do Tá no Ar, tão distinta do humor clássico? “Quando você desenvolve o conceito de um e o conceito do outro, é só vigiar para manter a proposta de cada um”, diz Melhem. “Além disso, um usa a televisão como universo de paródias, que é o Tá no Ar. Já o Zorra é a própria TV, não tem metalinguagem”, ressalta Farias.

Hoje vai ao ar o 9.º e penúltimo episódio desta 2.ª temporada do Tá no Ar, título que tanto a dupla como Marcelo Adnet esperam manter para uma próxima temporada, mas não para este ano. Trabalhoso, o programa pode e deve encontrar espaço na grade de 2016, tendo de ser produzido com meses de antecedência. Mas o último episódio desta temporada, que amealhou mais público que a primeira, vai ao ar na próxima quinta, com promessa de cenas que devem se tornar antológicas. A edição será toda dedicada ao cinquentenário da Globo, com participação de boa parte das estrelas da casa e uma grande paródia da própria TV – universo em que a Globo é referência maior neste país.

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