Dramalhão, mas com categoria

Quando comecei a assistir ao 1º capítulo da nova temporada de Brothers&Sisters, perguntei: "Por que vejo essa série?" Afinal, Sally Field é uma versão da Regina Duarte, Calista Flockhart é tão chata que nem a lembrança de Ally McBeal me faz ter qualquer tipo de simpatia por Kitty, e Rob Lowe parece um boneco de cera. Irritantes! Mas eis que entra em cena Rachel Griffiths, a Sarah. A cena do parque, com as supermães, é hilária e qualquer pessoa do elenco de O Casamento de Muriel merece meu respeito! E Kevin? Matthew Rhys é o melhor gay da TV hoje, posto que já foi ocupado por Sean Hayes, o Jack de Will & Grace. Isso sem falar no tio Saul (Ron Rifkin), que já dá as primeiras dicas sobre sua preferência sexual - devo admitir que sempre fico esperando o tio Saul fazer algo terrível, pois ainda tenho medo do Arvin Sloane, de Alias. Além desses atores ótimos, por mais que Brothers&Sisters seja, à primeira vista, mais uma série sobre uma família americana - e passar aquela sensação de falso moralismo -, a atração tem seus momentos de humor político e é politicamente incorreta. Kevin, por exemplo, ao saber que o namorado padre e gato vai passar um ano na Malásia, dá um ataque: "Impossível competir com criancinhas pobres!" O mesmo personagem acusa a mãe de ser responsável por sua vida amorosa em ruínas: "Você me fazia ver Pássaros Feridos." Fora que é inacreditável como a série consegue fazer rir e, dois minutos depois, chorar. A festa de Kitty estava hilária, até a notícia da quase morte de Justin (Dave Annable), no Iraque. Drama! Tudo calculado para que o público derrame suas lágrimas. E daí? Dramalhão, sim, mas com categoria!

Etienne Jacintho, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2008 | 00h45

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