'Dr. Selvagem' mostra veterinário que lida com bichos não domesticados

No reality, animais passam por procedimentos semelhantes aos dos humanos

João Fernando, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2014 | 20h00

 Diariamente, Rodrigo Teixeira encara leões, tigres e cobras com naturalidade. O veterinário e estrela de Dr. Selvagem, que estreia na quinta, às 22 horas, no Animal Planet, porém, tem outros temores. “Tenho medo de montanha-russa e de cachorro. Aqueles que nunca morderam são os mais perigosos”, confessa.

No reality, produzido pela Mixer, ele vai mostrar o dia a dia no atendimento aos animais selvagens no zoológico de Sorocaba, onde ele e seus colegas de trabalho cuidam dos cerca de 1.600 moradores do local, além de bichos não domesticados que chegam feridos. Lá, onças são enviadas para tomografias computadorizadas e pássaros fazem exames de radiografia, além de outros procedimentos semelhantes aos de humanos.

No primeiro dos 32 programas, Rodrigo tem de amansar uma onça antes de examiná-la, o que o deixa visivelmente nervoso ao ter de atirar dardos com calmantes com uma zarabatana. “Sou brincalhão, mas na hora do manejo eu me transformo. Se o animal acordar antes do tempo, pode comer o veterinário. Além disso, pode ter uma parada cardíaca. Não existe uma segunda vez com um leão, por exemplo”, explica. O carioca, entretanto, gosta da adrenalina. “É a tensão que me mantém vivo. Sou responsável pela integridade física dos animais e da equipe. Não posso vacilar.”

O veterinário garante não ter tido más experiências com os animais que trata. “Nos 20 anos em que trabalho aqui, só tive duas agressões. Um macaco-prego me mordeu na mão e um tigre no pé. Ele conseguiu furar a bota”, relembra. 

Para ele, ter de capturar animais peçonhentos perigosos para fazer exames ou operações não é uma tarefa complicada. “Difícil mesmo é quando a gente perde um animal. Outro dia, com um ouriço cacheiro (mamífero com espinhos) mordido por um cachorro, tive de partir para a eutanásia. É o momento difícil de tirar a vida do bicho. E até para isso tem de ser bom.”

Rodrigo monitora os bichos até nos fins de semana. “Se acontece uma tempestade, vou lá para ver se aconteceu uma coisa. Tem de gostar, o cheiro é horrível e a gente ganha mal. Meus filhos quase nasceram no zoológico. É sério. Minha mulher estava lá quando a bolsa estourou”, diverte-se ele, casado com uma veterinária. “Gosto tanto de onça que me casei com uma”, brinca. Em casa, porém, não dá tanta atenção aos cachorros e gato da família. “Quando chego em casa, a última coisa que quero é bichos. E é difícil eu passar a mão na cabeça deles. Veterinário gosta de resolver a situação do animal.”

Até as férias têm de ter relação com o mundo animal. “A gente tem de ir aonde tem zoológico. Não vou a museus, não gosto de arte”, entrega. Entre os pacientes preferidos estão as aves que vivem perto do mar. “Tomei muito caldo na praia ao observar os atobás.”

Rodrigo diz ficar atento ao tratamento dado aos animais enjaulados. “A gente não fala jaula, chama de recinto”, corrige. “Existe uma corrente contra zoológicos. Não há maus-tratos. O que pode acontecer é que o recinto não é tão grande quanto o animal precisa. Mas, outro dia, fui viajar de avião e minha poltrona era apertada. Isso é muito relativo”, faz graça.

Uma das situações mostradas na atração é a de bichos selvagens prejudicados pela ação humana. Como a de uma maritaca que precisou ter a pata amputada após ficar presa em uma linha de pipa. Rodrigo espera que Dr. Selvagem ajude a conscientizar o público. “O bicho homem está matando o semelhante. A gente acha que o mundo gira em torno da gente. Os animais não atacam, só se defendem.” 

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