Dono do morro em 24 horas

À Jack Bauer, o ator conquista não apenas a favela, mas o primeiro papel de protagonista

Julia Contier, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 20h59

.   Quem vê Angelo Paes Leme distribuindo pipocos nas favelas de A Lei e o Crime, da Record, não imagina que o ator é, na verdade, um colecionador de discos de vinil, um amoroso marido, um violonista apaixonado por música. Sim, Angelo quase foi músico. Quase. Trocou as partituras pelo tablado e acabou indo parar na TV. Ou melhor, no morro.Nando, o protagonista que Angelo tanto esperou, demorou, mas chegou "tocando o terror" na TV. Ao Estado, o ator fala sobre sua trajetória, paixões e sobre o personagem duas caras da vez, o rei do morro da nova aposta da Record.Você já fez novela do Manoel Carlos, Carlos Lombardi, Walcyr Carrasco, Marcílio Moraes, dois filmes , teatro e agora está em um seriado policial da Record. Qual foi seu melhor momento como ator?Acho que estou no momento de maior felicidade com o Nando, em A Lei e o Crime. Ele é um personagem complexo, cheio de contradições, humanamente profundo. Mas tiveram muitos trabalhos que foram muito bons, como História de Amor, Uga-Uga. Também gostei de fazer Chocolate com Pimenta, como o soldado Peixoto. Na Record, acho que os dois melhores momentos foram com Vidas Opostas e, agora, com o seriado. No cinema, Os Desafinados foi um marco, porque foi meu primeiro filme. Mas também foi ótimo fazer Meu Nome Não É Johnny e Muito Gelo e Dois Dedos D'Água.Como foi sua transição da Globo para Record? Foi para lá achando que teria a oportunidade de fazer alguma coisa maior?Tinha acabado de fazer dois filmes e estava nesse momento de paixão pelo cinema. Aí a Globo me chamou para fazer uma novela e recusei. Então, sete meses depois, apareceu um papel fantástico em Vidas Opostas, do Marcílio Moraes, e me interessei bastante. Depois de Vidas Opostas, surgiu Caminhos do Coração e o seriado. Tudo fruto de uma parceria que criei com o Avancini (Alexandre, diretor de novelas da Record).Qual foi sua reação quando recebeu o convite pra fazer 'A Lei e o Crime'?Fiquei muito feliz, porque já tinha feito minissérie na Globo. Mas agora fui convidado para fazer um protagonista, esse personagem maravilhoso nessa série, que é um novo formato em que a Record está apostando e em que acredito muito.Você chegou a dizer à imprensa que se considerava pronto para viver um protagonista e que achava que isso era uma questão de tempo. Agora que você está vivendo um, o que mudou?Acho que não mudou nada. O que eu disse há alguns anos é que sempre estive atrás de bons papéis. É óbvio que a gente tem vontade de assumir um bom personagem, que seja a força motriz da história, que ocupe um espaço de ações principais. Mas isso nunca me fez perder o sono. Às vezes, um personagem coadjuvante é melhor do que um protagonista.Como você justifica a maldade do Nando? Acredita que ela seja um vilão?Acho que o seriado aponta para outra direção, ele humaniza mais os personagens. Não estamos falando simplesmente se é mau ou bom, não existe apenas vilania e heroísmo. Há pessoas que têm uma vida diferente, com seus problemas, frustrações, angústias.Como você se preparou para viver esse personagem?O meu envolvimento é primeiro de leituras específicas, vi filmes, revi outros. Mas o Nando requer um treinamento físico, porque ele é um cara de ação. Além disso, tive de aperfeiçoar o manuseio com armas, porque ele atira muito bem. Mas para me preparar, sempre me pergunto: "Quem é esse homem? Quem é esse cara que estou sendo agora?"Você leva o personagem pra casa?Existe uma maneira de você deixar de lado esse personagem com quem você está envolvido o dia inteiro. Eu tenho uma vida suave, com minha mulher, com a minha casa e isso me traz harmonia e paz. O que é inevitável levar é o cansaço, mas isso faz parte. Qual foi a cena que mais te marcou na série?Foram várias, mas achei particularmente difícil e forte a cena em que ele diz à mulher que matou o pai dela. Como está sendo a reação do público? Quando as pessoas vêm falar comigo, sinto que estão felizes com o que estão vendo. Acha que a série tem excesso de violência?Acho que não é uma violência sem propósito. A violência existe, está no dia-a-dia, na nossa história, e estamos retratando a história da milícia e do tráfico de uma maneira realista. Não estamos fazendo um espetáculo da violência.O que você ainda tem vontade de fazer como ator?Muita coisa, em especial, muito cinema. Sou apaixonado por cinema. Ainda tenho vontade de fazer muitos papéis diferentes e muita coisa em teatro também.

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