Dona Íris recorre a Janete

Mulher de Silvio Santos estreia sua segunda novela e tenta consertar erros de 'Revelação'

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2009 | 00h16

Dessa vez, a autora e primeira-dama do SBT, Íris Abravanel, está mais modesta. Para a estreia na terça-feira de Vende-se um Véu de Noiva (às 22h), sua segunda novela, ela não estipula meta de ibope, como fez com Revelação. Isso porque Revelação pegou o bonde de Pantanal (que chegou a 15 pontos de média de audiência), estreou em dezembro com 9 pontos e chega ao fim, amanhã, oscilando entre 3 e 6 pontos. "As críticas serviram para baixar nossa bola", confessa Íris.

Apesar da fuga no ibope, a autora não encara Revelação como um fracasso. "O público que agora nos segue é fiel", diz. Ela acredita que a trama cumpriu sua função: a volta da produção de textos nacionais na teledramaturgia na emissora.

Del Rangel, diretor de Vende-se um Véu de Noiva, concorda: "Televisão é hábito. Vamos solidificar esse horário de novelas e a audiência virá."

O propósito de não reprisar erros começa pelo elementar: novela é obra aberta, pronta para corrigir eventuais desencontros com a audiência, mas Revelação estreou totalmente gravada. Dessa vez, apenas 36 capítulos estão prontos.

Como se trata de uma adaptação da obra radiofônica de Janete Clair, Íris explica que teve de enxertar personagens e histórias, além de fazer mudanças para torná-la mais atual. Em vez de uma loja de roupas, o ponto de encontro vira uma lanchonete. Sai a indústria têxtil e entra uma indústria pesqueira, como cenário empresarial. "Queria abordar essa coisa do meio ambiente, que está tão em alta", fala.

Silvio Santos, que chegou a escolher o nome de Revelação, dessa vez não deu pitaco. "Ele só pediu para focar na trama original", conta ela.

E para quem se lembra da versão de Véu de Noiva produzida pela Globo em 1969, o SBT garante que a história é outra e que Janete Clair apenas usou elementos da radionovela para compor o folhetim para a TV.

DRAMALHÃO

Na história de dona Íris, as ações acontecem em duas fases. Na primeira, em 1980, Rubens Baronese (Nando Rodrigues) e a mulher, Maria Célia, (Thaís Pacholek, na foto, à direita) esperam o primeiro filho. Eunice (Samantha Dalsoglio), prima de Maria Célia, apaixona-se por Rubens e torna a vida do casal um inferno. Logo, Maria Célia morre, o corpo do bebê some e a vilã se casa com o marido da prima. Juntos, eles têm um filho, Gustavo (Daniel Alvim).

O 7º capítulo já inaugura a 2ª fase, e 28 anos depois, a garçonete Eliana (Dayenne Mesquita) vira protagonista. Filha da maior inimiga de Eunice, a moça mora na periferia do Guarujá e fica viúva no dia de seu casamento, num acidente que envolve Gustavo. É ela que, após a tragédia, resolve colocar seu véu de noiva à venda, agora pela internet.

CASA NOVA

Recontratado pelo SBT após a Band extinguir seu departamento de teledramaturgia, o diretor Del Rangel levou com ele sua equipe, mas não teve liberdade para escolher o elenco de Vende-se um Véu de Noiva. É que o SBT havia se comprometido com boa parte dos atores de Revelação a mantê-los na casa. Eis o que Rangel nos conta sobre a nova missão.

Foi difícil escalar elenco?

Quando vim para o SBT, sabia que o elenco seria o mesmo. Conseguimos trazer o Marcos Winter, a Dayanne Mesquita e alguns atores. O orçamento estava apertado (R$180 mil por capítulo). Mas encarei como desafio, minha função é essa.

Como é concorrer com 'Poder Paralelo', da Record?

O Lauro César Muniz tem um texto pesado, e nós vamos concorrer com qualidade. Gravamos tudo em full HD. E o SBT pode se dar ao luxo de gravar 75% de externas (no Guarujá) e só 15% em estúdio. Ninguém faz isso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.