'Don Giovanni' por um requintado cineasta

Versão restaurada da ópera de Mozart e dirigida por Losey chega ao mercado brasileiro

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 21h31

O restauro da ópera Don Giovanni, filmada há 30 anos pelo cineasta norte-americano Joseph Losey, custou à produtora Gaumont um esforço grandioso para localizar a gravação original conduzida pelo maestro Lorin Maazel. Há dois anos, ela finalmente foi recuperada pela produtora francesa. É essa mesma versão que a Versátil Home Vídeo agora coloca no mercado brasileiro em edição luxuosa com dois discos. Valeu a espera. Pela primeira vez o filme é visto como originalmente concebido pelo requintado Losey. Na época, o engenheiro Ray Dolby acabara de inventar o sistema estéreo que leva seu nome, mas o uso de sua invenção não ajudou muito os engenheiros de som do filme. A técnica era nova e ficou difícil sincronizar imagem e o canto dos intérpretes. Resultado: o filme era belíssimo, mas o som, pífio.Com os atuais recursos técnicos, o problema foi resolvido. Contudo, há quem identifique em Losey um cineasta perseguido pelo Macartismo por suas inclinações políticas, certa manipulação do libreto de Da Pone para defender uma tese, a partir mesmo da epígrafe inicial do filme, assinada por Gramsci. Don Giovanni não seria apenas o cínico conquistador que roubava a mulher do próximo, mas um anti-herói disposto a destruir a ordem burguesa com suas conquistas. Exagero. Losey é fiel ao texto de Da Ponte e à música de Mozart, carregando apenas no patético, ao confrontar o rosto do protagonista (Ruggero Raimondi) com o de suas vítimas (dona Elvira, interpretada por Kiri Te Kanawa, e Zerlina, papel de Tereza Berganza). Além do elenco, há ainda a bela paisagem de Vicenza).

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