João Miguel Jr.
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Domingos Montagner, próximo protagonista da novela das seis, diz gostar da solidão

Em ‘Sete Vidas’, ator encarna personagem com problemas de relacionamento, que gosta de se isolar em barco

João Fernando, O Estado de S. Paulo

01 Março 2015 | 03h00

RIO - Na pele do velejador Miguel, protagonista de Sete Vidas, novela das 6 da Globo prevista para o dia 9 de março, Domingos Montagner passou dias desviando de tormentas, sentindo o vento gelado da Patagônia argentina. Com décadas de vivência no circo, o ator, de 53 anos, diz que os momentos no balanço das ondas têm tudo a ver com o instante em que fica parado arrumando o picadeiro.

“Tem muita conexão. Quando você está montando uma lona, tem de ter vários cuidados. Você pode perder o circo montando o circo. Se entra um vento na hora de montar a tenda, ele faz um balão e o leva embora. Antes do espetáculo, você vê o tempo, pois pode chegar uma tempestade. Já vivi isso, é complicado”, compara. “Você tem de acalmar o público. São ciclos de decisões objetivas. Senti identificação com isso. Você revista cordas e cabos. Já quase perdi o circo. Tinha acabado de fazer uma estreia e dez minutos depois de sair, passou um tornado.”

Na trama de Lícia Manzo, ele vai enfrentar turbilhões físicos e psicológicos. Doador de um banco de sêmen no passado, Miguel vai se deparar com os filhos biológicos. Antes do baque, porém, sofrerá um acidente de barco na Antártida e será dado como morto. Ao se recuperar, voltará ao Brasil para encarar as novidades.

Julia (Isabelle Drummond), gerada por inseminação artificial, tem o número do registro do doador anônimo. Por meio de um site especializado, ela descobre ter um meio-irmão, Pedro (Jayme Matarazzo). Em seguida, uma reportagem é publicada e mais filhos do doador 251, Bernardo (Ghilherme Lobo), Laila (Maria Eduarda de Carvalho) e Luís (Thiago Rodrigues) descobrem que estão ligados. 

Anteriormente, Miguel, que tem dificuldade em manter relações estáveis, rompe com Lígia (Debora Bloch) e parte para uma expedição no sul do continente, sem saber que a amada está grávida dele. Enquanto o pesquisador estiver fora de campo, ela recebe uma carta escrita pelos filhos dele, que querem conhecê-lo. 

“É uma realidade, não uma projeção para o futuro. A gente passou por uma transformação muito rápida de relações sociais e familiares”, analisa Domingos. Ele afirma não ter armazenado sêmen. “Fiquei pensando nesses caras que doam. E se aparece alguém? Nunca fiz isso. Tive três filhos. Se eu fosse guardar, haja pensão”, disse ao Estado.

Por conta do perfil do personagem, ele será um protagonista que pouco contracena com outros nos primeiros capítulos. “É um protagonista bem ausente. Ele tem de se fazer presente sendo ausente. Ele está sempre presente sem ser pró-ativo”, filosofa. “Nesses velejadores, conheci alguns que nos guiavam na Patagônia, você vê traços introspectivos.”

O ator conta não ter se isolado mais do que o normal para entrar no espírito do papel. “Não tenho esse processo. Para ser um suicida, eu não me mataria. Parto do princípio que todos os personagens estão aqui dentro de alguma forma. Do serial killer ao padre”, explica. “Gosto da solidão e de exacerbar isso. Gosto e preciso ficar sozinho em algum momento, para estudar ou pensar. Pego a bicicleta, vou no meio do mato cortar galho. Quando você faz isso, você se recolhe”, revela ele, que mora próximo à natureza, em Embu das Artes. 

“Saí de São Paulo, pois não tenho tanto prazer em morar em grandes centros. Tenho três filhos. Não é fácil me isolar. Levanto mais cedo que todo mundo, às 6 horas, faço meu café e fico pensando no que tenho de pensar. Você vê tudo melhor”, defende.

Apesar da carreira relativamente recente na TV – ele começou em 2010, em Força-tarefa e A Cura, Domingos encarou papéis de destaque em Brado Retumbante e Salve Jorge, em 2012. Mesmo assim, jura ficar tenso em ser protagonista de novela. “Sinto apreensão e me sinto feliz. Você sempre tem um medinho. Sou inseguro para caramba. Ator naturalmente é uma pessoa insegura, é tudo tão abstrato o que a gente faz.”

Em forma, o ator causa comoção no público feminino desde que interpretou personagens conquistadores e deverá causar furor nas cenas em que mostrará o físico – dentro do permitido para a faixa horária. Porém, foge do rótulo de galã. “Pô, precisa ver com a empresa se existe uma pasta dos galãs e se estou lá”, ri. “Para estar ao meu lado tem de ser”, interrompe Débora Bloch, que almoçava em silêncio em uma sala de ensaios do Projac. Quem desfaz a imagem é a autora Lícia Manzo. “Ele tem simplicidade, gosta de produzir, é a antiestrela. Na Patagônia, carregava as coisas, não quis dublê.”

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