Documentário revela a intimidade e as dores da estrela pop Lady Gaga

Documentário revela a intimidade e as dores da estrela pop Lady Gaga

'Gaga: Five Foot Two', que estreou na sexta, 22, na Netflix, mostra a gravação do disco ‘Joanne’ – e a luta da cantora contra as dores físicas que a tiraram do Rock in Rio

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2017 | 13h01

Documentários sobre a vida de figuras públicas podem ser fascinantes. Diante dos olhos do público, elas se mostram, na maioria das vezes, de maneira unilateral. Mas é na intimidade que sabemos quem realmente elas são. É aí que entram os documentários, humanizando esses personagens. Quando está nos palcos, nos clipes ou nos tapetes vermelhos, a estrela pop Lady Gaga é a diva camaleônica. Nos bastidores, ela é Stefani Joanne Angelina Germanotta, mulher forte e de sucesso, mas também ansiosa, insegura, que sofre com as dores do corpo – e do amor. É como Lady Gaga é retratada – e se mostra – em Gaga: Five Foot Two, produção original da Netflix, que estreou na sexta-feira, 22.

O interessante é que o diretor Chris Moukarbel mirou como ponto final de seu filme a apresentação de Gaga no Super Bowl, no começo deste ano – que a própria cantora norte-americana considera o ápice de sua trajetória –, mas começou a acompanhá-la antes, ao longo de oito meses. Um período, aliás, importante para Gaga, que mostra desde a feitura de seu novo disco, Joanne – e todo o conceito musical e estético por trás dele –, até seu lançamento, e recepção dos fãs e da crítica. 

No início do documentário, o espectador encontra uma Gaga poderosa, como já a conhecemos, com um coerente discurso feminista. Ela fala dos homens poderosos da indústria fonográfica, que tentam controlá-la como fazem com outras garotas. E a reação dela a isso é oposta a que eles esperam. “Quando queriam que eu fosse sexy ou que fosse cantora pop, eu fazia uma reviravolta absurda, que me dava a sensação de estar no controle”, diz ela, no filme.

Gaga desabafa também sobre as rusgas com Madonna. “Apesar de todo o respeito que sinto por ela como artista, não consigo entender o fato de ela não querer olhar nos meus olhos e dizer que eu era simplista, ou sei la o quê”, lamenta. “Dizer para mim que eu sou uma m... através da mídia é como um cara me passar um bilhete através de um amigo: ‘Meu amigo acha que você é linda. Aqui está”. Por que seu amigo não me encurrala e me beija? Só quero que a Madonna me encurrale, me beije e diga que sou uma m...” Mas, aos poucos, o diretor vai revelando outras camadas da cantora, mais profundas e fragilizadas.

Gaga se queixa da solidão – tinha desmanchado recentemente o noivado com o ator Taylor Kinney. Ela expõe também sua luta contra a fibromialgia, doença crônica que provoca dores múltiplas e difusas, e que a fez cancelar seu show no Rock in Rio, na semana passada.

Não há como não se solidarizar com o sofrimento físico da cantora, assim como é impossível não se emocionar com a história de sua tia Joanne, que morreu aos 19 anos, vítima de lúpus, e a quem Gaga dedica o novo álbum. O momento em que a cantora visita a casa da avó, encontra poemas e desenhos feitos por sua tia, e mostra à avó a faixa-título que compôs para Joanne é de cortar o coração. É a Gaga de família, que também sofre, ama, tem arroubos de mau humor e solidão.

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