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Documentário faz arqueologia das missões que colocaram o homem na Lua

'Apollo: Missão à Lua' vai ao ar neste sábado, 20, no canal National Geographic

Mariane Morisawa, especial para O Estado

20 de julho de 2019 | 12h59

LOS ANGELES – Cinquenta anos atrás, Neil Armstrong descia alguns degraus da Apollo 11 e pisava pela primeira vez na Lua, dizendo: “É um pequeno passo para um homem, e um grande passo para a humanidade”. Pouco depois, o astronauta Buzz Aldrin se juntava a ele, pulando sobre o solo lunar. Era o auge da corrida espacial entre os americanos e os soviéticos (que tinham colocado o primeiro homem no espaço em 1961) e a realização de um sonho proposto pelo presidente John F. Kennedy em 1962, cerca de um ano antes de seu assassinato, de colocar um americano na Lua antes da virada da década.

Apollo: Missão à Lua, exibido hoje, às 22h30, no National Geographic, recupera 500 horas de imagens, 800 horas de áudio e 10 mil fotografias para contar a história das missões Apollo, marcadas por triunfos e tragédias. “Queríamos criar uma máquina do tempo”, disse o diretor Tom Jennings, que abdicou do uso de entrevistas novas, utilizando apenas o material de arquivo. “O National Geographic vai a partes longínquas para explorar o mundo. Nós exploramos arquivos, como se fôssemos Indiana Jones. Mergulhamos fundo nesses arquivos e tentamos encontrar coisas que não são vistas há muito tempo para criar uma narrativa.”

O astronauta Garrett Reisman, que participou de missões espaciais com os ônibus espaciais Endeavour, a Discovery e a Atlantis, ficou impressionado com o que viu. “Eu assisti a muitos documentários sobre o programa Apollo, mas vi muita coisa neste filme que não tinha ideia que existia.” Jennings se beneficiou da digitalização das trilhas sonoras das filmagens da sala de controle, que permitiu ouvir as vozes de outras pessoas durante as missões pela primeira vez.  

O documentário é mesmo como uma viagem no tempo – um retorno para quem se lembra dos anos 1960 e uma descoberta para quem não tinha nascido ainda. “Queríamos dar um gosto de como era estar vivo naquele tempo”, disse Jennings. “E talvez quem viveu aquela época tenha um novo olhar.” A década de 1960 foi um período agitado na história do mundo, de muitas transformações e terrores, mas também de esperança, seja na luta pelos direitos civis, nas revoltas como as de Maio de 1968 e também a ida do homem à Lua. 

Mas o programa espacial não avançou como se esperava. “Se me perguntassem 50 anos atrás onde estaríamos em 2019, eu diria que teríamos uma colônia na Lua, quem sabe outra em Marte”, disse a Poppy Northcutt, a primeira mulher engenheira da sala de controle da missão Apollo. “Para mim é absurdo que não tenhamos. Nós, americanos, temos de usar as naves de outros países para entrar na órbita da Terra. Espero que este filme e outros façam com que as pessoas vejam essa proeza e entendam que nós somos capazes de grandes coisas. Temos computadores em nossos bolsos, algo impensável na época! Podemos fazer bem mais com eles do que tirar selfies.”

Para Fred Haise, que fez parte da missão Apollo 13, a diferença é que na época o programa espacial era apoiado pelo presidente e pelo Congresso. “E desde os dias do programa Apollo, não tivemos mais tanto apoio.” Reisman completou: “Nós poderíamos ter ido a Marte muito tempo atrás. Mas é preciso investimento de dinheiro e recursos. E também estar disposto a correr riscos”.

Como se vê no documentário, as missões Apollo sacrificaram a vida de alguns astronautas – e depois o mesmo se viu com a Challenger e a Columbia. “Então a NASA passou a querer eliminar o risco. E a única maneira de fazer isso é ficando em casa”, disse Reisman. Mas há uma mudança acontecendo, e é possível que seres humanos retornem à Lua e cheguem a Marte em pouco tempo, impulsionados por empresas privadas como a Space X de Elon Musk e uma nova corrida espacial – agora dos Estados Unidos com a China.

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