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Distribuidoras começam a lançar filmes direto em serviços sob demanda, sem passar pelo cinema ou DVD

Cinema independente mira no digital

Matheus Mans, Impresso

14 Janeiro 2017 | 16h00

É difícil encontrar alguém que tenha assistido à comédia brasileira O Roubo da Taça. Apesar da trama inventiva e dos quatro Kikitos conquistados no Festival de Cinema de Gramado, o longa passou batido pelos cinemas em 2016 e não foi lançado em DVD. Com isso, a missão de assistir ao filme, para cinéfilos tradicionais, é quase impossível. No entanto, quem se arrisca em plataformas digitais sai na frente: o longa está disponível em quatro diferentes serviços sob demanda, custando poucos reais. Basta alguns cliques e a produção passará na TV ou até na tela do celular.

Apesar de parecer um caso isolado, o filme brasileiro não está sozinho nesta ainda desconhecida empreitada pelo mundo do digital: todo mês, dezenas de filmes de produtoras independentes são lançados diretamente no iTunes, Netflix, NOW, Google Play e outros serviços. Às vezes, nem passam pelo cinema e pelo DVD. É o caso do ótimo longa O Que Fazemos nas Sombras, que saiu direto em versão digital no Brasil. O Roubo da Taça ainda teve a sorte de contar com algumas salas de cinema em seu lançamento.

“O mercado está mudando”, afirma o vice-presidente da California Filmes, Claiton Fernandes. “Está mudando é o formato, como as pessoas estão vendo esses produtos. Afinal, com as plataformas digitais, as pessoas podem descobrir o cinema independente de várias formas e de um jeito mais simples.”

A Sofá Digital, por exemplo, é um importante termômetro para essa transição entre o DVD e a plataforma digital: a companhia faz parceria com distribuidoras locais para lançar produções nos serviços de filmes sob demanda, como Netflix e iTunes. Para isso, eles fazem a adaptação de legendas e áudio, além de parcerias específicas para alavancar os lançamentos. Sem revelar números específicos, o diretor executivo da Sofá Digital, Fabio Lima, afirma que são “centenas de títulos já lançados”. Muitos deles, sem passar por cinema ou DVD.

“Nosso serviço está sendo cada vez mais solicitado”, afirma Fábio Lima, da Sofá. “As distribuidoras estão começando, finalmente, a ver a importância do digital. E isso só tende a crescer.”

Respiro. Com esse cenário traçado, pode parecer que o cinema como conhecemos está chegando ao seu fim. Afinal, tudo está mudando. “O mercado de DVDs praticamente acabou”, resume o diretor-geral da Mares Filmes, Marcelo de Souza. “O formato digital passou a ser a janela mais importante depois do cinema e antes da TV.”

No entanto, ao contrário do esperado, esta mudança pode dar novo respiro para o cinema. Jovens podem descobrir o cinema independente, por exemplo, e se interessar ainda mais por filmes. No final, toda essa transformação pode não ser apenas uma mudança na distribuição. Pode ser um novo jeito de conhecermos o cinema.

O que é vídeo sob demanda?

Serviços de vídeo sob demanda permitem que o usuário escolha o que quer assistir, na hora que quiser. Em vez de comprar um DVD, ele pode ser visto diretamente na TV apenas com alguns cliques no controle remoto. Para isso, existem formatos diferentes para o pagamento: o transacional, como iTunes, exige pequenos pagamentos para cada filme. Já os serviços por assinatura, como Netflix, exigem pagamento mensal para assistir a qualquer filme do catálogo.

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