Multishow/Divulgação
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Disputa entre irmãos é tema de nova série

'Acerto de Contas' tem Angelo Paes Leme, Silvio Guindane e Stepan Necerssian no elenco

João Fernando, O Estado de S. Paulo

30 de março de 2014 | 03h00

O título da série é sobre dois irmãos que vão resolver problemas do passado. Porém, Acerto de Contas, que estreia quarta, dia 2, às 22h30, no Multishow, poderia ter recebido esse nome por causa dos malabarismos que a equipe precisou fazer com o orçamento apertado. Primeira produção policial de ficção do canal, com direito a efeitos especiais e cenas de tiro, a atração demandou mais recursos que os programas de humor da emissora. 

“A grana foi apertada. Ninguém ganhou o cachê cheio. Tinha cenas de ação que tinham de caber no orçamento”, relembra Silvio Guindane, criador e protagonista, que acompanhou todas as etapas, do roteiro à edição. A atração é mais um dos exemplos da situação do mercado brasileiro de séries, em que os canais precisam cumprir cotas de produção nacional, mas ainda têm pouca verba. O ator não confirma, mas Acerto de Contas teve orçamento de mais de R$ 1 milhão, dividido pelos 13 episódios da temporada. Parte do dinheiro foi captada em um edital da Rio Filme.

O programa segue a tendência das séries de TV de recrutar profissionais do cinema. Além do diretor José Joffily (Dois Perdidos numa Noite Suja), que faz sua estreia em ficção para a telinha, a produção ficou nas mãos de Mariza Leão (De Pernas pro Ar). “A TV está crescendo. O público está mais exigente. Isso só está puxando a qualidade, as novelas estão querendo mais qualidade”, reconhece Guindane.

Conflito. Ambientada na zona oeste do Rio, a trama de Acerto de Contas gira em torno de Dante (Guindane), filho adotivo de Nicolau (Stepan Nercessian), dono de uma oficina de desmanche de carros, que um dia teve influência na região. Recém-aprovado no vestibular e casado com Luana (Aline Fanju), com quem tem um filha, o protagonista é preso após matar um policial em um falso sequestro.

A situação é armada por Quinho (Angelo Paes Leme), filho biológico e mau caráter de Nicolau, que finge estar em cárcere privado para arrancar dinheiro do pai. Sete anos se passam e Dante ganha liberdade. Fora da prisão, ele descobre que o irmão se tornou um vereador corrupto e que se casou com a cunhada. Começa, então, o plano de vingança.

“Quando ele pisa fora da cadeia, mandam matá-lo”, conta Guindane. Sequências de perseguição e trocas de tiro permeiam a vendeta do protagonista. Para agilizar as gravações, a equipe ficou concentrada em um bairro de Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio. “Fizemos uma cidade cenográfica que é praticamente um personagem.” 

No desenrolar da história, Nicolau se une ao filho adotivo para combater Quinho. Os dois receberão ajuda de Negativo (Antônio Pitanga), um comandante da Polícia Militar, e de Raquel (Brendha Haddad), filha do dono de desmanche, que sempre foi apaixonada por Dante. “Eu queria mostrar essa periferia que não é a favela. É uma geografia não muito explorada na TV e no cinema. Há coisas que só tem lá.”

Criado na Ilha do Governador, subúrbio carioca, Silvio Guindane garante ter visto pessoas com história semelhante a dos personagens. “Vi muita gente tentando fugir desse meio. O desmanche de carros é um mercado gigantesco. Lá também existe esse político que passa a vida comprando votos”, conta.

Apesar da temática da série, o criador jura que os confrontos entre Dante e Quinho não serão sangrentos. “Não vamos usar a violência pela violência. As pessoas estão cansada de assistir à brutalidade”, explica. “A série pode ter ação, mas é sobre um relacionamento familiar, pessoas que amam errado, a competição e o sonhos de cada um. Isso foi o que sempre me interessou. A política e o subúrbio são só um pano de fundo.”

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