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Disciplina para fazer uma TV verde

Equipe de produção do Tempos de Escola passa por treinamento para trabalhar sob as regras da sustentabilidade

João Fernando, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2013 | 02h17

A equipe do Tempos de Escola passa os dias tentando descobrir se atores, cantores e humoristas tinham boletins com notas azuis, bom comportamento na aula e o que faziam na hora do recreio. Os integrantes do time da atração - exibida todas as terças, às 22h30, no Futura, porém, tiveram de voltar a ser alunos antes de dar expediente na atração, que funciona como um modelo de programa de TV em prol da sustentabilidade.

"Fazemos um treinamento com a equipe com eles e passamos vídeos sobre impacto ambiental. Acabamos fazendo um relatório de diminuição de consumo", conta Ariene Ferreira, uma das fundadoras da Cinema Verde, empresa que analisa o esquema do mercado audiovisual para adapta-lo para ser menos agressivo ao meio ambiente.

"Também sou produtora e acredito na conscientização, pois trabalhamos em um setor que causa muito impacto. Nas produções, sempre há mais do que o necessário", alega. Ela reorganizou a estrutura montada pelos profissionais da Bossa Nova Films, responsáveis pelo Tempos de Escola.

Todo o material utilizado nos dias em que a atração é gravada é listado. "Anotamos os dados de consumo, desde o gasto com carros, táxis e sacos de lixo", enumera. Quem trabalha por trás das câmeras já se acostumou a poupar o que pode, como os copos de água, que visualmente se assemelham aos de plástico, comuns em empresas grandes. "Mas os nossos são biodegradáveis, feitos de fécula de milho, que é um pouco mais caro, mas diminui o impacto. As pessoas escrevem os nomes e usam os mesmos ao longo do dia."

Para estimar os efeitos de um dia de gravação, a turma que dá expediente no Tempos de Escola encomendou à Unicamp uma calculadora ecológica, em que a soma do material vai parar em uma planilha que, no futuro, será uma referência para ver o que pode ser reduzido.

O plano de ser mais sustentável tem efeitos no orçamento do programa. O cenário, formado por pedaços de acrílico e madeira, é guardado ao final de cada temporada, cuja gravação dura, em média, três semanas, e é reaproveitado no ano seguinte. "Há um cuidado na hora de embalar para que ele possa ser reutilizado. Depois, quando o pegamos de volta, fazemos um restauro. Em 2014, será o mesmo que temos agora", conta Ariene.

Para dar a impressão de que o fundo do programa é novo, a equipe de cenografia faz pequenas adaptações. A preocupação na conservação é tanta que apenas o apresentador Serginho Groisman e o convidado podem pisar diretamente naquele pedaço do estúdio. Funcionários precisam colocar uma espécie de touca sobre os sapatos para não deixar manchas no chão, coberto por papel.

Os equipamentos que não podem ser eliminados recebem componentes que causam menos impacto. Na captação de som, os aparelhos movidos a pilha têm modelos recarregáveis. Assim que a gravação termina, uma cooperativa de reciclagem contratada exclusivamente, vai até o estúdio para separar o que foi descartado.

Rural. Criado em um ambiente em que a sustentabilidade ainda não era tão discutida, o ator Carlos Casagrande vai relembrar o tempo em que demorava horas para chegar ao colégio no Tempos de Escola de amanhã. Ao conversar com Groisman sobre o período de estudante, o artista conta ter recebido um privilégio por morar na zona rural de Itararé, interior de São Paulo.

"Fui dispensado das aulas de educação física", revelou. Ao assistir a um vídeo com colegas de escola e antigos professores, Casagrande falou sobre a experiência de ter sido aluno da própria mãe em um colégio público de sua cidade. "Ela era muito rígida. Não me ajudava, fazia eu estudar sozinho."

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