Prova de Coragem
Prova de Coragem

Diretor do filme  ‘Prova de Coragem’ fala de seus personagens, desejos e medos

Filme que foi exibido no festival de cinema de Montreal apresenta uma reflexão sobre o homem contemporâneo

Roberto Gervitz , Especial para o Estado

09 de setembro de 2015 | 06h00

MONTREAL - Na sexta feira, dia 4 de setembro, o meu filme Prova de Coragem teve a sua première mundial dentro da seção Competitiva do 39.º Festival de Filmes do Mundo, de Montreal. O filme foi exibido no imponente Cinema Imperial1, construído em 1913, de início para apresentações de teatro vaudeville. O Festival de Montreal é presidido por Serge Losique, seu fundador – um senhor de 84 anos, amante inveterado do cinema. 

A sala de 900 lugares, portanto muito grande, estava parcialmente tomada em ambas as sessões (600 pessoas) – uma às 11h30 e a outra às 21h30 –, mas o público assistiu ao meu filme, de pegada delicada e intimista, em pleno e concentrado silêncio. No final do filme, nada catártico, como se saísse de um sonho, a plateia foi aos poucos deixando essa zona íntima à qual acredito que foi levada pelo filme e aplaudiu em sincero reconhecimento que se revelou plenamente na quantidade de pessoas que vieram cumprimentar pessoalmente o ator Armando Babaioff por sua atuação, bem como o músico Luiz Henrique Xavier pela composição da trilha musical e eu. 

De minha parte, não posso negar a tensão vivida antes da projeção do filme que se seguiu ao prazer de ver a grande tela do Imperial refletindo com brilho a bela fotografia de Lauro Escorel e o trabalho dos atores (Armando Babaioff, Mariana Ximenes, Aurea Maranhão, Cesar Troncoso e Daniel Volpi), muito elogiado por aqui. Posso dizer que, como diretor, naquele momento me emocionei ao ver consubstanciada finalmente a combinação do trabalho de toda uma equipe comandada pela produtora Monica Schmiedt. 

A conferência de imprensa foi bem interessante e ganhou tensão, principalmente, no embate que se estabeleceu entre mim e uma crítica canadense. Ela pretendia estabelecer uma hierarquia entre os temas dos filmes e eu lhe respondi que os temas são sempre os mesmos desde os tempos primordiais – o amor, a morte, o poder, a natureza. Cabe aos criadores combiná-los de forma autêntica e verdadeira. Ela também colocou questões de estilo e eu lhe disse que nos meus filmes não busco colocar a minha câmera à frente dos meus personagens e da narrativa, pois isso me parece mais uma manifestação de narcisismo, que é marca de nosso tempo e, inclusive, subtema de meu filme. 

Entre as muitas pessoas que nos procuraram e teceram comentários após a sessão, destaco o depoimento de uma senhora durante o debate que se seguiu à projeção de Prova de Coragem: ‘Acho que muitos homens deveriam assistir a esse filme, pois vão identificar no personagem principal algo de muito entranhado no jeito de ser e sentir masculinos, algo arquetípico que ultrapassa as barreiras culturais’. 

Aos poucos, vou descobrindo com a ajuda dos espectadores mais sensíveis e atentos ao meu trabalho, que a observação e reflexão sobre o homem contemporâneo – aflora dos meus personagens às voltas com o desejo e o medo de viver. 

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