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Diretor de ‘Amores Roubados’ fala sobre sertão reformulado

Produção quer brigar com grandes produções da TV paga

João Fernando, O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2013 | 19h35

Paisagem verde e gente falando sobre vinho sob o sol escaldante do sertão são imagens que não vêm à cabeça quando se pensa no nordeste brasileiro, mas é assim que ele vai aparecer em Amores Roubados, minissérie que a Globo exibirá em janeiro. A trama é baseada em A Emparedada da Rua Nova, romance publicado em capítulos durante dois anos em um jornal de Recife no século 19, adaptado por George Moura e pelo diretor José Luiz Villamarim.

A história vai mostrar relações de amor proibidas e difíceis em meio a um grupo de ricos exportadores de frutas e donos de vinícolas à beira do Rio São Francisco. “Quando fui procurar locações, percebi o sertão contemporâneo. Há mais eletrodoméstico e roupas globalizadas convivendo com o arcaico, o jegue ainda está lá. Temos o vaqueiro clássico, mas ele está com um celular”, disse Villamarim ao Estado por telefone.

O diretor, que esteve à frente de projetos como O Canto da Sereia e a novela Avenida Brasil, quer reformular o clichê da ideia de nordeste recorrente na TV, principalmente na maneira de falar. “Tinha a preocupação em não tornar uma farsa. Deixo o sotaque dos atores com uma prosódia simples, é como uma musicalidade ao falar. Por isso, chamei atores locais, como o Irandhir Santos e o Jesuíta Barbosa (ambos em cartaz no filme Tatuagem). É a busca do menos artificial possível. Senão, fica todo mundo falando igual.”

Para 70% das cenas da minissérie, a equipe passou 98 dias no sertão. O restante termina de ser gravado no Rio esta semana. “Foi como fazer três longas”, compara Villamarim, que não se importou em não voltar para casa no período. “Trabalhávamos de segunda a sábado. O mais difícil foi o calor”, minimiza ele, que conseguiu manter por lá figuras requisitadas do elenco, como Cauã Reymond, Murilo Benício e Patrícia Pillar, para deixá-los no clima da trama.

“O legal é fazê-los sair da rotina. Lá, eles iam conversando com todos, desde a recepcionista do hotel, para a prosódia começar a entrar”, explica. Para conseguir reservar os atores, que recebem muitos convites para publicidade e cinema, o diretor precisou se programar. “Quando acabou o Sereia (em janeiro deste ano), eu e o George já tínhamos esse projeto. Aí, convidei os atores e passei as datas. É menos tempo do que uma novela e dá para fazer uma imersão”, conta o mineiro, que levou os artistas para ensaiar antes por três semanas.

Apesar do tempo de gravação, Amores Roubados terá apenas dez episódios. Entre as 120 pessoas da equipe está Walter Carvalho, premiado diretor de fotografia do cinema nacional, responsável pela estética de O Canto da Sereia e a novela Lado a Lado. “Por isso, a gente diz que está filmando (em vez de gravando, termo para a televisão). As séries sempre foram projetos especiais. A tendência é gravar menos por dia e pesquisar mais. A qualidade da TV cresceu e, como a gente domina a linguagem digital, a gente tem uma qualidade fotográfica melhor.”

Villamarim vê a evolução nas produções para a TV aberta como reflexo do sucesso das séries da TV paga. “Temos de fazer seriados bons para brigar com eles. É mercado, a gente tem de brigar pau a pau com a HBO e AXN”, afirma o diretor, há 21 anos na Globo.

Para ele, a diferença de orçamento dos programas norte-americanos, em que o custo de um episódio pode ultrapassar US$ 1 milhão, não é um impeditivo.

“Hoje, com Schroder (diretor-geral da emissora) e o Manoel (Martins, diretor e entretenimento), a gente vai continuar fazendo”, defende. Em 2014, Villamarim fará o remake de O Rebu (1974). “A gente vai serializar, dar ganchos e ter aceleração de histórias”, adianta.

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