Fabio Gonçalves/Estadão
Fabio Gonçalves/Estadão

Destaque em 'O Filme da Minha Vida', Johnny Massaro é protagonista da nova novela 'Deus Salve o Rei'

'Não tem isso mais, ator é ator. Não sou ator de teatro, TV, cinema. Quero ser ator', diz o jovem

Entrevista com

Johnny Massaro

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

25 Dezembro 2017 | 06h02

O meninote que fez sucesso na novela Floribella cresceu. Hoje com 25 anos, Johnny Massaro lembra com carinho da época em que estreou na TV, em 2005, na trama teen da Band - e se orgulha do caminho que percorreu na carreira de lá até agora. Uma trajetória construída passo a passo, sem atropelos, em que os papéis de protagonista lhe foram surgindo mais recentemente. “Acho isso natural, eu tinha 11, 12 anos (quando comecei), e você vai crescendo. Continuo nesse movimento de crescimento, mas agora já tendo passado por algumas coisas. Você vai assimilando melhor as coisas, conseguindo fazer escolhas, porque, quando você é muito novo, embora faça escolhas, não tem muita consciência sobre o que está fazendo”, afirma, em entrevista ao Estado, o ator carioca, que se destacou também em produções da Globo como Meu Pedacinho de Chão e Amorteamo.

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Enquanto estava no ar na série Filhos da Pátria, exibida até o último dia 12, Johnny já se dedicava a um novo protagonista, Rodolfo, da próxima novela das 7, Deus Salve o Rei, que estreia na Globo no dia 9 de janeiro. Ambientada num cenário medieval, à la Game of Thrones, a trama traz Rodolfo como o irmão caçula e irresponsável do príncipe herdeiro de Montemor, Afonso (Romulo Estrela). O futuro rei, no entanto, por amor à bela plebeia Amália (Marina Ruy Barbosa), de Artena, abdica do trono, entregando o posto a seu irmão. “As situações em que Daniel (Adjafre, o autor) coloca o Rodolfo são muito engraçadas”, comenta Johnny. “Afonso vai embora e deixa esse louco governando. O irmão foi preparado para isso, e envolve realmente uma preparação que o Rodolfo não teve e não quis ter. Ele não sabe nem onde fica o reino no mapa.”

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Na novela, o ator faz par com Tatá Werneck, que interpreta Lucrecia, a (libidinosa) futura rainha. Mulherengo, Rodolfo precisa se casar ao assumir o trono. Conhece Lucrecia em uma pintura, mas, depois, quando a vê pessoalmente, se dá conta que o retrato não corresponde exatamente à realidade. Filhos da Pátria, que se passava no Brasil pós-independência, traçava uma série de paralelos com os dias atuais, sobretudo com relação à corrupção no País. O mesmo acontecerá com Deus Salve o Rei? “(Os paralelos) existem naturalmente, porque essas coisas existem desde sempre. É do homem a corrupção, etc., mas não vão forçar nenhuma ligação. Mas, por exemplo, a Tatá vai mandar um quadro dela pelada, sensual, e esse quadro vai parar numa exposição. É a primeira nude vazada”, conta o ator, cuja preparação para o papel envolveu treinos como de equitação, e arco e flecha.

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Johnny Massaro diz que se “desfez” de Geraldinho, seu personagem em Filhos da Pátria, “fazendo o Rodolfo”. Na série escrita por Bruno Mazzeo, ele interpretava o primogênito da família Bulhosa, um rapaz sem noção, infantil e amoral. O ator conta que a primeira coisa que chamou sua atenção nesse trabalho foi o elenco, também formado por nomes como Fernanda Torres, Matheus Nachtergaele e Alexandre Nero. “Quando me mandaram o texto, aí vi que tinha essa grande ligação com o que acontece agora, e de uma maneira superbem escrita”, lembra. “Foi muito bom, principalmente, porque era uma época em que eu estava muito ligado à política, eu queria entender, me indignei com tudo o que estava acontecendo. Então, foi ótimo poder falar daquilo, foi ótimo poder falar: ‘Primeiramente, Fora, Pedro’”, completa ele, numa alusão ao ‘Fora, Temer’.

As gravações da série foram realizadas no final do ano passado. Para o ator, o cenário político de 2016 era o mesmo de agora: “é mais do mesmo”, ele define. “Nessa época, eu consumia essas coisas. Hoje em dia, não sei mais o que está acontecendo, porque não tenho ferramentas para lidar com esse tipo de estupidez, e vai além de mim. Vi que a política eu tenho que fazer a minha própria, no meu cotidiano, no meu dia a dia, e realmente parar de assistir a esse circo, porque não faz mais sentido para mim. Sou eu aqui pequenininho fazendo o melhor que eu posso fazer”, pondera. “A gente vive numa grande sociedade e cada um dentro disso se relaciona com seus devidos grupos, com sua família, com seu trabalho. É tentar ser o melhor possível nas relações, tentar ser sincero nelas, tentar respeitar as pessoas.”

No cinema. O humor dá a tônica do texto de Filhos da Pátria, assim como da nova novela das 7, Deus Salve o Rei. Mas são humores diferentes, Johnny ressalta. “A princípio, pensei que pudesse ser um humor muito parecido, mas não é, porque o Geraldinho, para mim, caminha para um lado um pouco mais infantil, mas descobri isso fazendo (a novela). Ela é uma espécie de comédia de situação, em que o humor não está exatamente no ator, ou no personagem, está na situação. É engraçada, diferente um pouco da série, em que a gente caminha mais para a farsa.”

Aliás, Johnny transita bem entre a comédia e o drama. E, em 2017, ele pôde exibir essa versatilidade simultaneamente em dois momentos: na TV, na já citada Filhos da Pátria, e, no cinema, em O Filme da Minha Vida. Dirigido e também estrelado por Selton Mello, o longa tem o jovem ator como protagonista da história: Tony retorna à sua cidade natal, na Serra Gaúcha, e não encontra mais o pai, que voltou para a França. Talvez seja o trabalho mais denso da carreira de Johnny. Ele concorda. “Acho que das coisas que fiz é a que tem mais melancolia”, complementa. “Admiro imensamente o Selton. Ele dirigiu, atuou e ainda está nessa fase de lançamento e divulgação”, elogia o ator, que, dias depois da entrevista, viajaria para o Festival de Havana, em Cuba, para representar O Filme da Minha Vida e Todas as Razões Para Esquecer, de Pedro Coutinho.

Ele está envolvido em outros filmes, como Partiu Paraguai, de Daniel Lieff, que deve estrear no ano que vem. Também em 2017, fez temporadas em teatros de São Paulo e no Rio com a peça Estranhos.com, ao lado da atriz Deborah Evelyn. Filho de mãe secretária e pai taxista, Johnny é o único artista da família. E não gosta de ser classificado como sendo ator disso ou daquilo. “Uma atriz de outra geração me perguntou: você é ator de teatro? Falei: faço teatro também”, ele conta. “Aí fiquei pensando: não tem isso mais, ator é ator. Me pareceu estranho. Não sou ator de teatro, TV, cinema. Quero ser ator.” 

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